A atriz de “Homem em Chamas” da Netflix, fala sobre bissexualidade, a emoção de contracenar com Alice Braga e os próximos lançamentos que prometem marcar o ano!
Por Carolina Luz Paulo e Laura Magro
Nascida em Brasília e criada com o Cerrado no sangue, Pâmela Germano construiu uma trajetória no audiovisual que une rigor técnico, comprometimento político e uma presença que transborda nas telas. Aos 7 anos já fazia teatro. Hoje, está no catálogo global da Netflix.
A série “Homem em Chamas” (“Man on Fire”), que estreou em 30 de abril de 2026 e rapidamente atingiu o Top 1 da plataforma em países como Estados Unidos, França e Brasil, traz Pâmela no papel de Marina Melo, filha da personagem interpretada por Alice Braga. A produção, criada por Kyle Killen e baseada nos livros de A.J. Quinnell, é ambientada no Rio de Janeiro e reúne um elenco internacional de peso: Yahya Abdul-Mateen II, Bobby Cannavale e Scoot McNairy são alguns dos nomes.
Mas a nossa conversa com a atriz vai além do sucesso da série! Pâmela é uma artista que se identifica abertamente como bissexual e que carrega essa identidade com orgulho e consciência política. Em filmes como “A Batalha da Rua Maria Antônia”, vencedor do Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio 2023, e no “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” ela demonstra que representatividade não é apenas pauta: é vocação para contar histórias diversas!
Nesta entrevista exclusiva, Pâmela fala sobre o êxtase de entrar para uma superprodução internacional, a emoção de aprender ao lado de Alice Braga, os desafios dos planos-sequência gravados em película e o sonho de continuar contando histórias que existem para além da heterossexualidade compulsória.
Pode se apresentar para o público do Lesbocine?
Sou Pâmela Germano, atriz, brincante, diretora cênica e artista transdisciplinar. Nascida e crescida em Brasília, carrego o Cerrado comigo pra onde vou. Você pode me achar no longa metragem “A Batalha da Rua Maria Antônia”, interpretando a personagem Lílian; como também na série internacional da Netflix “Man On Fire”, em que interpretei a Marina. Faço teatro desde os 7 anos, e tenho trabalhos com cinema, teatro e pesquisa, com destaque nacional e internacional. Tenho uma carreira no audiovisual permeada por personagens bissexuais e lésbicas, que contam outros modos de existir no mundo para além do normativo hetéro compulsório, e isso me orgulha como artista e como pessoa bissexual.

Você integra o elenco de “Homem em Chamas”, que estreou em maio de 2026. Como surgiu essa oportunidade? E qual foi sua reação quando descobriu que viveria a Marina?
Surgiu a partir do momento que Alice Braga entra no projeto, e Anna Luiza (produtora de elenco) me faz o convite para ser Marina, filha da personagem da Alice. Quando descobri que faria o papel, foi um sentimento de êxtase sem tamanho, um sentimento de conquista única, de que estava escrevendo minha história de um modo especial e participando de algo muito grande para o Brasil.
E como foi construir essa relação de mãe e filha em cena e contracenar com ela?
Alice é muito generosa, certeira, aterrada. Aprendi muito trabalhando com ela. Nós duas queríamos uma relação de muita confiança e parceria para a história dessa mãe e filha, e foi justamente nessa cumplicidade que miramos.
Como tem sido, para você, integrar um elenco tão forte, ao lado de nomes já consolidados, em uma produção de um dos maiores streamings do mundo?
Um assombro, no melhor sentido. É um feito gigantesco, me sinto muito honrada e orgulhosa de ter feito parte disso.
Além de “Homem em Chamas”, você também tem outros trabalhos chegando este ano, como “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” e “O Mistério de Santa Dica”. O que você pode adiantar sobre suas personagens nesses projetos?
Podemos esperar muita emoção! Ambas as personagens foram um presente na minha vida. Interpreto a Lorena em “ As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, uma adolescente repetente, sem medo de nada, profunda e corajosa. Dica dos Anjos é uma figura histórica brasileira. Eu não tenho palavras suficientes para falar da honra de interpretar essa mulher mística, líder religiosa, e uma pessoa amorosa para com sua comunidade. Estou doida para vocês conhecerem!
Você também esteve em “A Batalha da Rua Maria Antônia”, dirigido por Vera Egito, que retrata um período muito intenso da história do Brasil. Quais foram os maiores desafios dessa produção?
Com certeza foi lidar com a imensa coreografia que os planos-sequência exigem. Eram planos longos, complexos, cheios de vida. Foi desafiador conciliar sutilezas que a minha personagem pedia junto à dinâmica mais ativa do plano-sequência.
No filme, sua personagem Lilian se envolve com outra militante do movimento estudantil, a Lena. Como foi, para você, enquanto uma mulher bissexual, participar dessa narrativa e trazer essa representação para a tela?
Foi e é muito importante pra mim. A cena em que Lilian e Maria Helena fazem amor, acho uma das cenas mais bonitas que já vi no cinema, pela forma que escolheram gravá-la. Para mim é um sinal de avanço e eu tenho muito orgulho de encabeçá-lo, assiná-lo, ter meu corpo e minha vida envolvidos na contação e ampliação dessas vivências na arte e no cinema.

Para você, qual a importância de ver cada vez mais mulheres lésbicas e bissexuais conquistando espaço e reconhecimento dentro da indústria audiovisual?
Sinto algumas mudanças, mas elas precisam ser ainda mais radicais. Precisamos de mais mulheres bissexuais e lésbicas roteirizando, dirigindo esses projetos, e de mais personagens que representem essas vivências sem superficialidade no tema. Para mim é de uma importância indispensável contar essas histórias, legitimá-las, ficcionalizá-las à altura da complexidade e da beleza que carregam.
Você veio do teatro e já transitou por diferentes tipos de produções e personagens. Hoje, qual é o seu maior sonho enquanto atriz? E qual é o maior sonho da Pâmela fora das telas?
Meu sonho é poder conseguir alcançar, transbordar o que tenho para fazer no mundo como uma artista transdisciplinar. Como atriz, tenho milhões de sonhos de personagens, com quem trabalhar, onde etc… Mas, no final, fica o sonho de poder continuar trabalhando com a arte de forma digna, pagando minhas contas e tendo projetos a fazer. Um sonho “fora das telas” é conseguir tocar melhor meu pandeiro.
Para encerrar, mande um recado para a audiência do Lesbocine e convide todo mundo para acompanhar seus próximos trabalhos.
Quero fazer o convite, de coração cheio de alegria e fervor, para que se aproximem do cinema nacional, do teatro, das artes da cena. Convido a quem possa interessar para conhecer meu trabalho, e acompanhar meus próximos lançamentos: “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, em agosto nos cinemas; e “O Mistério de Santa Dica“, ainda sem data de lançamento. Obrigada!
Siga Pâmela Germano no Instagram: @pamelagrmano
“Homem em Chamas” já está disponível na Netflix. “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” estreia nos cinemas em agosto de 2026.
Foto em destaque: Duda Portella