AFROPUNK 2026 chega à Bahia celebrando amor, negritude e resistência sáfica

Festival

Kehlani, Kelela e NandaTsunami são as estrelas de uma edição histórica que celebra cultura negra, diversidade e amor entre mulheres nos dias 7 e 8 de novembro, no Parque de Exposições de Salvador

Por Carolina Luz Paulo

Salvador vai tremer. E dessa vez, o epicentro não é o Carnaval e sim o AFROPUNK Brasil 2026, festival que chega à capital baiana com o que parece ter sido montado especialmente para quem vive amor com todas as letras. Nos dias 7 e 8 de novembro, o Parque de Exposições da Av. Luís Viana Filho vira território de negritude, axé e muita música que fala diretamente ao coração das mulheres que amam mulheres.

Realizado pela IDW Company, a mesma produtora responsável por trazer Beyoncé à Bahia para o histórico Club Renaissance, o AFROPUNK Brasil 2026 representa a consolidação de Salvador como palco central da música negra global. São dois dias de programação intensa, com 16 shows que atravessam gerações, territórios e linguagens artísticas.

“O lineup de 2026 traduz exatamente o que buscamos construir com o AFROPUNK Brasil: um espaço onde diferentes gerações, territórios e expressões da música negra possam dialogar”, afirma Ana Amélia Nunes, sócia e diretora de conteúdo da IDW Company.

Mas o que mais chama atenção nesta edição são as artistas que não apenas fazem música extraordinária, mas vivem e declaram abertamente quem são. E para a comunidade sáfica, isso tem um peso enorme!

Kehlani: “I am gay, gay, gay”

Se existe uma artista que simboliza a coragem de se assumir publicamente em um mundo que ainda questiona, essa artista é Kehlani. A cantora californiana, indicada ao Grammy, viralizou ao declarar no TikTok com todas as letras: “I am gay, gay, gay”. Antes, havia se identificado como queer e pansexual e essa trajetória de descoberta aberta, sem pressa, sem script, ressoa profundamente nas letras de músicas como “Honey”, “Nights Like This” e “After Hours”. É a sua estreia na Bahia e promete ser inesquecível!

Kelela: A vanguarda queer negra da música eletrônica

Filha de imigrantes etíopes, criada em Maryland, Kelela Mizanekristos é abertamente queer e construiu sua carreira na interseção entre identidade negra, sexualidade e música eletrônica experimental. Seu álbum Raven (2023) foi saudado pela crítica como um manifesto de libertação queer negra, parte sessão de terapia, parte noite de rave. Como ela mesma disse ao falar de sua trajetória: “Mulheres queer negras são como canários em minas de carvão. Pergunte a uma de nós se as coisas estão erradas e a gente vai contar”. Kelela não é só música, é posicionamento!

NandaTsunami: a voz sáfica que veio do centro de São Paulo

Criada no centrão de SP, Fernanda Xavier Ferreira Santana virou NandaTsunami emprestando um verso do MC Daleste: “se eles tiram onda, eu tiro tsunami” e nunca mais abaixou a guarda. Seu som transita entre funk paulista, trap, afrobeats e R&B, mas o que realmente atravessa tudo é a coragem de falar o que não se fala: desejo entre mulheres, corpo como território político, espiritualidade como resistência. Abertamente bissexual, Nanda já deixou claro com a irreverência que lhe é marca: “sou bissexual, minto pra homem e pra mulher”. Nas letras dela, o corpo é linguagem e falar sobre desejo é também falar sobre identidade, sobre entender o que é genuíno e o que é expectativa imposta.  NandaTsunami não é só música, é declaração de existência!

 

Confira abaixo o line-up de cada dia:

Sábado, 7 de novembro

  • Jorja Smith
  • FLO
  • Emicida
  • Lazzo Matumbi
  • AJULLIACOSTA
  • Fantasmão
  • Telefunksoul
  • Paredão

Domingo, 8 de novembro

  • Kehlani
  • Kelela
  • Gilberto Gil
  • Gaby Amarantos
  • NandaTsunami
  • Criolo (canta Nó na Orelha)
  • DJ Belle
  • Paredão

 

As informações sobre valores e início das vendas de ingressos para a edição de Salvador ainda não foram divulgadas pela organização, mas a promessa é de que serão anunciadas em breve. Para não perder o momento em que abrirem os lotes, a dica é acompanhar de perto os canais oficiais: AFROPUNK e Site oficial da IDW Company.

A edição baiana encerra um ciclo itinerante pelo país. Antes de chegar à capital soteropolitana, o AFROPUNK Brasil 2026 passa pelo Rio de Janeiro (15 de agosto, Terreirão do Samba) e por Recife (12 de setembro, UFPE). Salvador, porém, segue como o coração do projeto com a maior edição, o line-up mais robusto e a energia mais intensa!

 

Fotos: reprodução

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