Por que o desenvolvimento amoroso de May e Cate desapareceu na 2ª temporada de Monarch: Legacy of Monsters?

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Por: Rayanne Tovar

Para quem gosta de universos repletos de monstros gigantes, conspirações governamentais e dramas familiares, Monarch: Legacy of Monsters, da Apple TV+, é uma excelente porta de entrada para o MonsterVerse. Inspirada no universo de Godzilla e Kong, a série explora a criação e os bastidores da Monarch, organização responsável por estudar e monitorar os Titãs, criaturas colossais como Godzilla, Kong e diversos outros monstros espalhados pelo planeta.

Apesar do espetáculo visual e das criaturas gigantescas, a série não foca somente nos monstros. A trama acompanha personagens como Keiko Miura (Mari Yamamoto), Lee Shaw (Wyatt Russell/ Kurt Russell), Bill Randa (Anders Holm), Hiroshi Randa (Takehiro Hira), Kentaro Randa (Ren Watabe), Cate Randa (Anna Sawai) e May  (Kiersey Clemons), explorando como suas vidas foram moldadas pela Monarch ao longo de gerações.

A narrativa se divide principalmente entre duas linhas temporais: os anos 1950, quando a Monarch está sendo fundada, e 2015, um ano após o chamado “Dia G”, o ataque de Godzilla a São Francisco mostrado no filme Godzilla (2014). Essa estrutura permite que os showrunners Chris Black e Matt Fraction conectem passado e presente enquanto constroem a história da organização e da família Randa.

Com efeitos visuais de alto nível e uma produção que claramente conta com um orçamento robusto, Monarch: Legacy of Monsters se destaca como uma das séries mais ambiciosas já produzidas para o MonsterVerse. 

Mas, para além dos Titãs e dos efeitos especiais milionários, houve um elemento que chamou a atenção de muitas espectadoras sáficas durante a primeira temporada: o desenvolvimento da relação entre Cate e May.

Fonte: Reprodução da internet

Cate é uma ex-professora de São Francisco que sobreviveu ao ataque de Godzilla e embarca numa investigação sobre os segredos de sua família, descobrindo a profunda ligação de seu pai e de seus avós com a Monarch. Já May, interpretada por Kiersey Clemons, surge inicialmente como ex-namorada de Kentaro Randa, meio-irmão de Cate, além de ser uma hacker extremamente talentosa que acaba envolvida na conspiração da organização.

E aqui eu já vou direto ao ponto.

Quando May é apresentada, tudo indica que seu papel na história estará ligado ao relacionamento com Kentaro. No entanto, conforme os episódios avançam, a dinâmica entre ela e Cate passa a ocupar um espaço cada vez maior na nossa tela. As duas se tornam inseparáveis, desenvolvem uma forte conexão emocional e compartilham diversos momentos de intimidade e confiança que ultrapassam facilmente os limites de uma simples amizade.

Para reforçar ainda mais essa leitura, a série confirma que Cate é sáfica e já teve relacionamentos com mulheres. A partir daí, muitos espectadores passaram a enxergar a construção de um possível romance entre as personagens, algo que parecia estar sendo preparado para acontecer na próxima temporada.

Mas foi justamente quando saiu a segunda temporada que venho a estranheza:

Fonte: Reprodução da Internet

Lançada em 2026, a segunda temporada apaga todo o desenvolvimento construído entre Cate e May ao longo dos episódios anteriores. O distanciamento entre as duas acontece de forma brusca e sem uma explicação convincente. Existem algumas tentativas superficiais de justificar essa mudança, mas elas não sustentam o vínculo que a própria série havia construído anteriormente.

Estamos falando de personagens que passaram uma temporada inteira colocando suas vidas em risco uma pela outra. Por isso, a sensação é de que algo foi simplesmente abandonado no meio do caminho. E, quem mais sofre com essa falta de direção é May.

Enquanto Cate recebe um arco mais robusto e conectado ao núcleo central da temporada, May parece ficar à deriva. Sua trajetória continua marcada por decisões inconsistentes, e muitos dos conflitos ligados ao seu passado são resolvidos rapidamente através de diálogos curtos. O resultado é uma personagem que passa boa parte da temporada sem um propósito claro dentro da história.

Isso levanta uma pergunta inevitável: o que aconteceu?

É difícil não se perguntar se a mudança teve alguma relação com a recepção de parte do público ao possível romance entre Cate e May. Afinal, como toda série onde o foco central não é o enredo sáfico, houveram muitas críticas à forma como a relação foi construída na primeira temporada. No TV Time, aplicativo para organizar séries e filmes que você assiste, alguns comentários demonstram o mau recebimento do público ao possível casal na primeira temporada:

“O relacionamento bizarro entre May e Cate não faz o menor sentido. A Cate parece uma psicopata obsessiva e as duas me irritam. Enquanto isso, o Kentaro fica ali sobrando, sendo que ELE ERA QUEM ESTAVA EM UM RELACIONAMENTO COM A MAY.” – Escreveu uma espectadora.

Em outro comentário, um fã da série comenta sobre Cate: “Essa garota está tão desesperada assim? Quero dizer, você sabe que ela é a ex-namorada do seu irmão, né? E aí começa a se esfregar nela durante a viagem de carro… desesperada demais.”

Esses são apenas dois dos diversos comentários de repressão aos momentos “mais íntimos” que as duas compartilhavam na primeira temporada.

Como diversos outros elementos da série, o desenvolvimento desse vínculo não foi apresentado com a clareza necessária e muitas vezes pareceu de fato forçado. Ainda assim, abandonar completamente uma construção que ocupou tanto espaço na primeira temporada parece uma decisão estranha e que deixa a série ainda mais rasa e desconexa.

Fonte: Reprodução da Internet

O mais curioso é que Cate continua sendo uma das personagens mais interessantes da série. Anna Sawai entrega uma atuação consistente e seu arco, especialmente envolvendo sua conexão com os Titãs e os eventos do Axis Mundi, se tornam um dos pontos mais fortes da temporada. 

Até o momento, a Apple TV+ ainda não confirmou oficialmente uma terceira temporada de Monarch: Legacy of Monsters. Porém, considerando o gancho deixado no final da segunda temporada e a expansão contínua do MonsterVerse, tudo indica que ainda existe muita história para ser contada.

Resta torcer para que, caso a série retorne, os roteiristas consigam amarrar as pontas soltas deixadas pelo caminho. E, principalmente, que May finalmente receba um desenvolvimento à altura do potencial da personagem, inclusive na relação com Cate, que acabou se tornando uma história  abandonada.

 

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