Mulher é morta por agentes do ICE na frente da esposa nos Estados Unidos

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Renee Nicole Good, mãe de três filhos, foi baleada em Minneapolis após observar uma operação do departamento de imigração

Por Lesbocine

Eu estava sentada no meu escritório, aqui em Nova Iorque, quando recebi uma notificação informando que uma mulher havia sido morta pelo ICE na quarta-feira, 7, em Minneapolis. Sim. O ICE — o departamento de imigração dos Estados Unidos — atirou nela sem nenhum motivo legítimo, na frente de sua esposa. Enquanto isso, a administração do presidente americano a chama de “terrorista doméstica” como forma de justificar ações que, como tantas outras, são completamente injustificáveis.

Nesta manhã de quinta, 8, a mulher foi identificada como Renee Nicole Good, que se descrevia como escritora, poeta, esposa e mãe. Renee foi morta na frente de sua esposa logo após deixar o filho na escola. Seus três filhos, de 15, 12 e 6 anos de idade, agora precisam reajustar completamente suas vidas para lidar com uma perda dessa magnitude — uma dor que só quem perdeu os pais ainda jovem consegue compreender.

Renee foi morta por estar observando e gravando as ações de agentes do ICE em Minneapolis. O governo americano alega que foi necessário matá-la porque ela teria tentado atropelar e matar agentes do ICE. No entanto, o prefeito de Minneapolis defendeu Renee e classificou o ocorrido como um abuso de poder que resultou em uma morte trágica.

Vídeo que circula pelas redes sociais mostra momento em que oficial do ICE saca a arma e dispara contra o carro da vítima | Reprodução

No último ano vivendo como imigrante nos Estados Unidos, posso dizer que toda a magia desse país se perdeu com Donald Trump e com cada decisão tomada por ele enquanto representa a nação. Venho de uma posição de muito privilégio: apesar de ser imigrante, sou uma mulher branca que vive em uma cidade grande e majoritariamente democrata, Nova Iorque, o que ainda traz uma sensação relativa de segurança. Ainda assim, o governo americano se mostra cada vez mais instável e preconceituoso contra qualquer minoria — não apenas imigrantes, mas também mulheres, lésbicas, pessoas LGBTQ+ e qualquer um que não seja “branco o suficiente” para os padrões deles.

É absurdo que, por causa das ações do ICE no último ano, imigrantes como eu tenham medo de se posicionar publicamente contra o governo americano devido às possíveis consequências. Um governo baseado no ódio e na discriminação jamais será capaz de criar um ambiente em que as pessoas se sintam seguras. Esse estado constante de hipervigilância faz com que muitos imigrantes não se sintam mais acolhidos nem bem-vindos neste país. Os Estados Unidos já foram vistos como um lugar seguro para famílias LGBTQ+, mas estão se tornando cada vez mais perigosos — um país que, em 2025, permite que a Suprema Corte discuta a possível anulação dos direitos ao casamento LGBTQ+ em todo o território nacional.

Ontem, uma criança de seis anos voltou da escola para casa e descobriu que sua mãe estava morta. Uma criança que já havia perdido o pai há menos de três anos. Uma criança que ainda não consegue dimensionar o que é a perda, nem entender como lidar com o luto, mas, ainda assim, é obrigada a encarar mais uma vez essa realidade. Por mais que os Estados Unidos tentam normalizar tragédias como essa, tratando-as como parte do “preço necessário” para “proteger o país” daquilo que parecem temer mais: os imigrantes, não podemos permitir que isso continue. A xenofobia e o medo do contato com o diferente estão provocando uma guerra interna — não apenas contra imigrantes que vivem nos EUA, mas também contra seus próprios cidadãos, como Renee, que já não suportam mais assistir ao caos em que esse país está se transformando. 

E, no meio dessa guerra, a opressão do governo Trump continua escolhendo como alvo as minorias que fogem do padrão de “cidadão ideal” que tanto pregam. A realidade do mundo atual é marcada pelo medo e pela insegurança diante do avanço de governos opressores e da ascensão do conservadorismo. Isso evidencia que, mesmo após a conquista de tantos direitos por meio de décadas de luta, ainda precisamos continuar resistindo para que eles não nos sejam retirados novamente. 

 

Foto em destaque: Getty Images

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