Grupo feminino encerrou o festival com show energético, muita dança, representatividade e conexão intensa com o público
Por Laura Magro
A última noite do Lollapalooza Brasil 2026 foi marcada pelo show do grupo feminino Katseye, que se apresentou no Palco Flying Fish para uma multidão de fãs dos mais diversos gêneros, idades e estilos.
O Katseye abriu a apresentação com “Debut”, single de estreia. Em seguida, vieram o hit “Touch” e outras faixas como “Tonight I Might”, “My Way” e “I’m Pretty”. Apesar das críticas quando o grupo lançou seu último single, “Internet Girl”, o público pareceu não se importar, cantando em coro junto com as integrantes.
A performance de “Gabriela”, música que rendeu ao grupo uma indicação ao Grammy este ano, é definitivamente uma das melhores do set. Um pop chiclete com referências latinas não só no instrumental, mas também na coreografia e nos visuais — que ainda contou com um dance break marcante.

Durante toda a apresentação, o grupo fez questão de interagir com o público. Cada uma das integrantes conversava com os fãs, inclusive arriscando algumas palavras em português. Em resposta, o público gritava, batia leques e puxava cantos carinhosos com o nome de cada uma delas — incluindo Manon, que está em hiato e não participou dos shows na América Latina. Os fãs fizeram questão de demonstrar seu amor por ela não só com gritos, mas também com cartazes.
O ponto alto da noite — e definitivamente um dos mais aguardados pelos fãs — foi a performance de “M.I.A.”. Com a energia lá em cima, artistas e público cantaram e dançaram juntos. Ao final, Megan e Lara, duas integrantes que falam abertamente sobre suas sexualidades, dançaram juntas, com movimentos sensuais e provocativos, fazendo o público ir a loucura.

A apresentação foi encerrada com o que é provavelmente o maior hit do Katseye: “Gnarly”. Se o público já cantava todas as músicas até então, nesse momento o coro triplicou de intensidade.
Apesar do repertório ainda limitado, o Katseye consegue entregar aquilo a que se propõe: um show divertido, com muita dança e músicas pop que transitam entre o chiclete mais básico e um pop mais nonsense que se destaca, como “Gnarly” e “Internet Girl”.
Além disso, é muito interessante ver a representatividade que o grupo oferece para as gerações mais novas. Ao alcançar um público jovem — incluindo crianças acompanhadas dos pais — e sendo um grupo com duas integrantes assumidamente sáficas, que levantam a bandeira contra qualquer tipo de preconceito e a favor da liberdade de ser quem você é, elas ajudam a introduzir essa representatividade desde cedo e a levar esse debate também para dentro de casa.
De forma geral, o show no Lollapalooza Brasil 2026 mostrou que o Katseye é um grupo em ascensão, com grande potencial de crescimento. Fica a expectativa para que, no futuro, as integrantes tenham mais voz nas decisões criativas, tanto nas músicas quanto nos visuais, permitindo que o grupo desenvolva uma identidade ainda mais própria, para além das estratégias de mercado da indústria.
Foto em destaque: Fábio Tito/G1