De casamento falso a romance real: The Earth encanta pelo casal, ainda que se perca no final

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Série entrega química, leveza e envolvimento emocional, apesar das falhas narrativas

Por Laura Magro

Um dos projetos mais aguardados do ano, 4 Elements, começou com o pé direito. The Earth introduz de forma leve e envolvente a dinâmica da família Watinwanich, ao mesmo tempo em que constrói um romance cativante, mistura drama e ação e ainda toca em uma questão urgente: o tráfico humano, problema que vai muito além da Tailândia.

Ambientada em uma área rural de Chiang Rai, a trama acompanha Din, dona de uma fazenda, que investiga ao lado do senhor Thip um possível esquema de tráfico comandado por Wasupol. Quando Thip sofre um acidente e entra em coma, sua filha Rose retorna do exterior para assumir os negócios da família — apenas para se ver presa em uma situação perigosa: Wasupol tenta forçá-la a se casar com seu filho. Para protegê-la, Din propõe um casamento de conveniência entre as duas.

Desde o início, a narrativa instiga. O mistério envolvendo o tráfico humano cria tensão e curiosidade, mas rapidamente o foco se desloca para o relacionamento entre Din e Rose, uma escolha que funciona muito bem na maior parte do tempo. Os primeiros episódios são leves, divertidos e extremamente carismáticos. É impossível não se encantar com as primas Watinwanich e sua dinâmica caótica, que já antecipa o potencial das próximas séries do projeto.

Ainda assim, o grande destaque é, sem dúvida, o romance central. A relação entre Din e Rose cresce de forma natural e envolvente, impulsionada por um casamento de mentira que logo revela sentimentos reais. Há um charme especial nas interações tímidas, nos momentos de descoberta e na construção gradual da intimidade entre elas. As cenas variam entre o afeto delicado, o ciúme pontual e momentos mais intensos, criando uma experiência emocionalmente rica sem cair na superficialidade.

Din e Rose crianças em flashback | The Earth/North Star

Os flashbacks da infância são outro acerto, trazendo leveza e aprofundando a conexão entre as personagens. Vale destacar também o cuidado do casting ao escalar atrizes mirins que realmente remetem às versões adultas, um detalhe simples, mas que enriquece a imersão.

Enquanto isso, o drama segue em segundo plano, mas nunca desconectado. Tudo se entrelaça: o casamento como estratégia de proteção, o desenvolvimento dos sentimentos e o conflito gerado por Kaew, braço direito de Din, cuja paixão não correspondida a leva a tomar decisões questionáveis. Até certo ponto, o roteiro conduz esses elementos de forma coerente.

O problema surge na reta final.

O penúltimo episódio acelera demais, acumulando acontecimentos e reviravoltas sem o devido desenvolvimento. Já o episódio final sofre do problema oposto. O clímax construído anteriormente é resolvido logo no início, de forma rápida e pouco impactante, e o restante do tempo é preenchido por conflitos que não se desenvolvem com a mesma força. O arco de redenção de Kaew acontece de maneira apressada, sem que o público consiga realmente acompanhar ou se conectar com sua mudança. Ao mesmo tempo, a separação de Din e Rose soa forçada, especialmente pela falta de comunicação entre elas — algo que contradiz toda a intimidade que já havia sido construída. A decisão de manter encontros escondidos, mesmo com a possibilidade de um relacionamento à distância, também não convence e acaba enfraquecendo a coerência da narrativa.

Ainda assim, The Earth consegue se recuperar em seus momentos finais. O casamento verdadeiro é carregado de simbolismo e funciona como um belo paralelo ao casamento inicial. A evolução da relação é visível: se antes havia nervosismo e insegurança, agora existe conforto, intimidade e entrega. A noite de núpcias, em especial, se destaca pela sensibilidade — transmitindo tanto a urgência quanto o cuidado de um momento esperado, sem perder a delicadeza.

Din e Rose em primeira noite de amor | The Earth/North Star

Mesmo com tropeços no roteiro e uma qualidade técnica apenas mediana para uma produtora já consolidada, o saldo é positivo. Muito disso se deve à forte química entre Apple e Mim e à dinâmica envolvente das personagens. The Earth cumpre bem seu papel como porta de entrada para o universo de 4 Elements, entregando uma história gostosa de acompanhar e um romance que conquista pela sinceridade.

É um começo promissor. Agora resta saber se os próximos elementos conseguirão manter o equilíbrio entre emoção e narrativa que aqui, por pouco, não se perdeu.

 

Foto em destaque: The Earth/North Star

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