Série aposta no simples e surpreende positivamente com sua narrativa envolvente e casal de tirar o fôlego
Por Laura Magro
Quando comecei a assistir Heart Code, não sabia muito bem o que esperar. Primeira série Girls Love da produtora, com um novo casal e roteiro original, tinha tudo para passar despercebida em meio a tantas produções sendo lançadas. Mas foi justamente o contrário. Heart Code entrega uma produção de qualidade, química de sobra entre o casal principal e conquista imediata do público.
A trama acompanha Tara (Tungpang), uma policial decidida a investigar o mistério envolvendo a morte de seu pai, ocorrida 20 anos antes. Ao ser enviada para um treinamento de segurança particular, ela conhece Vicky (Jessie), que à primeira vista parece atrapalhada e pouco familiarizada com a vida militar. Ao se sensibilizar e decidir ajudá-la a sobreviver ao programa, as duas acabam se aproximando e desenvolvendo sentimentos que vão além da amizade. É então que Tara descobre que Vicky é filha do principal suspeito pela morte de seu pai: Phakphum, o tenente responsável pela delegacia onde trabalha. A partir disso, ela precisa lidar com o dilema entre seguir com sua investigação ou abrir espaço para o que sente.

De cara, uma das coisas que mais chama atenção em Heart Code, além da premissa interessante, é a qualidade técnica. Apesar de não ser uma produção que “brilha os olhos”, especialmente por ser um projeto de estreia, já dá aula para muitas empresas que produzem GL há anos. A direção de arte faz um ótimo trabalho ao ambientar a delegacia, os treinamentos e os locais onde a história se passa, além de construir bem a identidade das personagens. O som é mais limpo e consistente do que em outras produções do gênero, evitando ruídos e falhas comuns. A trilha sonora funciona bem ao transmitir a urgência e o suspense das cenas, enquanto a direção das sequências de ação — especialmente no primeiro episódio — se destaca por parecer natural, sem excesso de artificialidade.
O roteiro não tenta ir além do que consegue sustentar — e isso é, na verdade, um dos seus maiores acertos. Com apenas sete episódios, Heart Code consegue introduzir, desenvolver e concluir sua história com eficiência, apostando em uma estrutura mais direta, mas bem executada. A série entrega suspense, investigação, ação e, de quebra, um romance fofo e genuíno. Ainda que o episódio final passe uma leve sensação de correria, a conclusão funciona dentro do que foi proposto. Ao mesmo tempo, fica a impressão de que havia potencial para mais episódios, considerando as diversas camadas que poderiam ser melhor exploradas — mas é compreensível a escolha de não arriscar sem garantia de recepção do público.

O ponto mais alto da série é, sem dúvida, a dinâmica entre Tara e Vicky. Não apenas pela química absurda e natural entre as duas, mas também pela construção gradual e delicada da relação. Acompanhamos o interesse surgir, a intimidade se desenvolver e, aos poucos, as duas se permitirem sentir. As cenas íntimas conseguem equilibrar urgência, sensibilidade e conexão emocional. Tungpang e Jessie demonstram um potencial enorme, especialmente nas cenas dramáticas, que ganham força graças à entrega das atrizes.
Heart Code é uma grata surpresa. Entrega uma história envolvente, um casal magnético, roteiro bem amarrado e uma produção consistente. Não é à toa que conquistou rapidamente um grande público e passou a dominar as redes sociais. Ainda bem que já temos um novo GL protagonizado por Tungpang e Jessie confirmado — seria um desperdício não aproveitar todo o talento, química e carisma das duas.
Foto em destaque: Heart Code/Monomax