O filme Marinette, que narra as vivências da atleta no futebol feminino, tem sua estreia na plataforma Looke no dia 21 de março
Por Dany Oliveira
Estrelado por Garance Marillier, o filme conta a história da ex-jogadora de futebol Marinette Pichon. Mais do que isso, a produção cinematográfica retrata momentos marcantes da trajetória pessoal e profissional da jogadora, conectando sua vivência aos desafios do futebol feminino.
Marinette Pichon, nascida em 1975, deixou sua marca na modalidade, quebrando recordes e abrindo portas para futuras gerações. Primeira francesa a assinar um contrato profissional nos Estados Unidos, consagrou-se como uma das pioneiras do esporte. Dentro e fora de campo, sempre lutou por melhores condições para as jogadoras e pelos seus próprios direitos. Casada com Ingrid Moatti Pichon, a ex-atleta faz questão de tornar visível seu amor e sua identidade.
O filme, lançado em 2023, é um convite para que as pessoas entendam a necessidade da profissionalização, estruturação e humanização da modalidade. Baseado em fatos reais, a produção não esconde os desafios que atletas enfrentavamnaquela época e que acabam refletindo nos dias atuais.
Que a história da modalidade perpassa por diversas dificuldades e obstáculos não é novidade, mas ao trazer a vivência de uma das atletas mais importantes da França, o filme aproxima o telespectador da narrativa.

O filme propriamente dito: Marinette
Sem muitos spoilers, a história da atleta atravessa um mundo bastante conhecido por muitas jogadoras de futebol. O espectador não apenas assiste à história, mas se sente parte dela, enxergando o mundo sob a perspectiva de Marinette, compartilhando suas dores e conquistas.
No início, é só uma menina que sonha em ser jogadora de futebol, mas ao final, é mais uma mulher que se cansou do longo e comprido campo que ela deveria percorrer.
O caminho da personagem transpassa por preconceitos, marginalização e medo, que são personificados na figura do pai, das pessoas ao redor, da mulher com quem se relaciona mais tarde e também da federação francesa. Além de jogar futebol, Marinette resiste às agressões físicas e psicológicas que eram constantes na vida da atleta.
No entanto, deve-se ressaltar a importância do papel da mãe de Marinette em todo esse contexto. O apoio materno, desde a compra da primeira chuteira até o momento dos jogos oficiais, demonstrava que a pequena e grande jogadora não estaria sozinha. Algo bastante interessante em relação às filmagens é que, durante as partidas, Marinette procurava por sua mãe nas arquibancadas.

Outro pontapé inicial importante foi o primeiro treinador que enxergou o potencial de Marinette. Ainda que ela estivesse jogando com meninos e disputando espaço, seu lugar estava garantido: ela pertencia ao campo e ninguém a tirava.
Com passagens pelo Saint-Memmie Olympique, pela liga norte-americana e pela seleção francesa, a atleta entendeu a importância da profissionalização do esporte feminino. As condições precárias na França eram opostas à situação nos Estados Unidos, que já possuía estrutura e o básico para que mulheres jogassem futebol.
A personagem, exausta de lutar pelo básico, dá seu último chute ao gol quando anuncia sua aposentadoria após a derrota contra a Inglaterra nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2007: “Para mim, o que acabou de acontecer é uma falha do sistema. Como podemos nos comparar a jogadoras profissionais, quando nem sequer somos pagas? […] Dei tudo de mim no futebol, ele me recompensou e até me salvou. Mas, neste momento, não devo nada a ele”.
Novas histórias e velhos problemas
O futebol feminino tem enfrentado, ao longo dos anos, diversos desafios, como baixos salários, falta de contrato, escassez de estrutura, além da luta constante contra o preconceito, o machismo e a homofobia.

A indignação cresce quando vemos a trajetória de atletas que, mesmo após percorrerem um longo caminho, ainda encontram apenas salários baixos e estrutura mínima. No entanto, nada muda: mulheres continuam sofrendo diferentes tipos de preconceito apenas por jogar futebol.
Quando a seleção francesa ou brasileira entra em campo, elas não estão apenas praticando um esporte, na realidade, estão lutando contra inúmeras formas de opressão. Antes de se tornarem jogadoras de futebol, são mulheres lutando pela visibilidade, pelo básico, pelo respeito e pela existência.
O filme retrata exatamente essa questão, visto que Marinette não se preocupava apenas com os problemas em campo. As diversas questões expostas na produção cinematográfica demonstram que a linha do tempo do futebol feminino não é linear e tende a retroceder, oprimir e silenciar vozes.
O início da narrativa se dá em 1980 com a primeira aparição da atleta, ainda criança, em seus primeiros contatos com o futebol. Neste mesmo ano, o Brasil descriminalizava o futebol entre mulheres, um crime que durou cerca de 40 anos, tendo sido proibido por lei desde 1941. Na França, a proibição durou até 1970 e, por meio do filme, é possível entender o atraso e as dificuldades que as jogadoras passaram nesse período.
Direção, elenco e onde assistir
A direção da cinebiografia foi de Virginie Verrier, com duração de 1 hora e 36 minutos e contou com Garance Marillier como protagonista. Outros personagens foram protagonizados por Alban Lenoir (pai) e Émille Dequenne (mãe).
O filme, lançado em 2023, estará disponível pela plataforma Looke a partir do dia 21 de março de 2025. O serviço de streaming possui pacotes entre R$ 16,90 (mensal) a R$ 149,90 (anual), estando inserido na Claro tv+, Prime Video Channels e Vivo Play.
Mais do que contar a trajetória de Marinette, o filme abre espaço para que outras histórias sejam ouvidas e reforça a urgência de um futebol feminino mais profissional, estruturado e humano.
Foto em destaque: Reprodução