Com lançamento em Copacabana, a FIFA apresentou a marca da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, mas o evento gerou críticas pela baixa representatividade feminina
por Maxine Pereira
A FIFA apresentou neste domingo, 25, a marca oficial e a identidade visual da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. A cerimônia, realizada em Copacabana, no Rio de Janeiro, reuniu dirigentes esportivos, ex-atletas e representantes do governo, mas também gerou polêmica nas redes sociais e entre especialistas pelo protagonismo dado a figuras masculinas e pela baixa representatividade feminina no evento
Identidade visual e lançamento oficial
A FIFA revelou a identidade visual do Mundial feminino em um evento que começou no Hotel Fairmont, em Copacabana, com a apresentação do emblema oficial, do slogan GO EPIC e da identidade sonora inspirada em ritmos brasileiros. A marca une as letras M e W, representando mulher e mundo tanto em português quanto em inglês, formando também um losango que remete à bandeira brasileira
Segundo a FIFA, o lançamento marca o início da contagem regressiva para o primeiro Mundial feminino sediado na América do Sul, com disputas em oito capitais brasileiras.

Críticas à baixa representatividade feminina
Apesar da celebração pela realização do torneio, o lançamento foi alvo de críticas por parte de internautas, comentaristas e parte da comunidade do futebol feminino. Usuários das redes sociais e vídeos publicados em plataformas como instagram expressaram insatisfação com o espaço dado a figuras masculinas durante a apresentação, em especial com homenagens e participações destacadas de ex-jogadores de futebol masculino.
Reportagens especializadas apontaram que o protagonismo masculino no palco acabou dividindo o foco de um evento dedicado ao futebol feminino, gerando questionamentos se o evento refletiu adequadamente a importância e a história das mulheres no esporte.
Jogadoras se posicionam sobre a falta de representatividade feminina
Presente no evento, a ex-jogadora Formiga se posicionou sobre as críticas à cerimônia em entrevista ao Fut das Minas e reconheceu a importância histórica dos ex-atletas homenageados, mas destacou que o foco de um Mundial feminino deve estar nas mulheres que constroem e representam a modalidade. A ex-capitã da seleção brasileira defendeu maior valorização das jogadoras e das pioneiras do futebol feminino, no Brasil e no cenário internacional, especialmente em eventos simbólicos como o anúncio oficial do torneio.

Da mesma maneira, a ex-jogadora Ju Cabral da Cazé TV, afirmou durante a transmissão que a organização perdeu a oportunidade de apresentar ao público a trajetória das Copas do Mundo femininas e das mulheres que marcaram a história da modalidade, ressaltando a necessidade de que a representação feminina esteja no centro da narrativa de um campeonato dedicado às mulheres.
Os desafios até 2027
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil é tratada como um marco histórico para o futebol feminino, ao levar o torneio pela primeira vez à América do Sul. As reações ao lançamento da marca indicam, no entanto, que a construção simbólica do evento também se tornou parte do debate sobre visibilidade e reconhecimento das mulheres no esporte. Com a proximidade do Mundial, a expectativa é que as próximas ações institucionais da FIFA e das entidades envolvidas ampliem o espaço para jogadoras e pioneiras, refletindo a centralidade feminina que a competição representa.
Foto em destaque: Ricardo Moraes/Reuters