Chappell Roan faz história como primeira headliner assumidamente lésbica do Lollapalooza Brasil

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Com mar de leques, coro ensurdecedor e muita emoção, cantora transforma show em catarse coletiva
 
Por Laura Magro

Não há palavras para descrever o sentimento e a energia da segunda noite do Lollapalooza Brasil 2026. Chappell Roan levou a multidão — composta majoritariamente por fãs lésbicas — à loucura com um show de tirar o fôlego.

A cantora subiu ao palco ao som de “Super Ultra Graphic Modern Girl” e já foi recebida por um mar de leques. Impressionada, Chappell mencionou o “Gagacabana”, fenômeno que viralizou pela icônica bateção de leques, e ainda aproveitou para enaltecer a arte Drag Queen brasileira.

A artista emendou sucessos como “Femininomenon”, “After Midnight” e “Casual”, sempre acompanhada pelo coro intenso do público. Durante “HOT TO GO!”, Chappell levou o Autódromo inteiro a dançar: um mar de pessoas ocupava cada espaço enquanto reproduzia, em perfeita sincronia, a coreografia icônica da música.

O momento de “The Subway” foi um dos pontos altos da noite — embora seja difícil destacar apenas um em um show tão consistente. A multidão cantava a plenos pulmões cada verso, especialmente a ponte com a famosa frase “she got away”. A união dos vocais da cantora com o coro do público criou uma atmosfera arrebatadora, capaz de emocionar qualquer pessoa presente.

O show seguiu nesse ritmo, recheado de músicas que refletem as vivências de Chappell enquanto mulher lésbica. A plateia a ovacionava a todo instante, entre gritos, cantos e leques no ar. No palco, a artista alternava entre sorrisos e lágrimas, visivelmente emocionada com o carinho do público e com o encerramento de sua turnê.

Um dos momentos finais veio com “Good Luck, Babe!”, já consagrada como um hino lésbico por abordar relações marcadas pela negação e pelo medo de se assumir.

O espetáculo se encerrou em alta, com “Pink Pony Club” e uma energia contagiante que tomou conta do Autódromo.

 
Foto: Lollapalooza Brasil

A apresentação de Chappell Roan no Lollapalooza Brasil 2026 entra, sem dúvida, para a história como um dos grandes shows do festival. Com vocais impecáveis, presença de palco magnética, visuais que constroem uma narrativa estética bem definida e uma banda à altura, a artista entregou um espetáculo completo.

Mais do que isso, o momento carrega um peso político e social significativo: Chappell se torna a primeira headliner assumidamente lésbica a comandar o palco principal do festival, oferecendo uma representatividade que por muito tempo foi escassa para a comunidade sáfica. Sua presença atraiu um público diverso, que finalmente pôde se ver refletido em um grande show: nas letras, na sonoridade e na estética.

Mais do que uma cantora, Chappell Roan se consolida como a diva pop lésbica que faltava no mainstream. Uma artista que não apenas entrega excelência no palco, em contraste com uma indústria muitas vezes voltada para hits rápidos, mas que também exerce um papel real fora dele: posicionando-se politicamente, apoiando instituições voltadas à comunidade LGBTQ+ e inspirando milhares de pessoas a viverem suas verdades com orgulho.

Foto em destaque: Lollapalooza Brasil

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