Já disponível na Netflix Brasil desde dezembro, a série, que chegou ao streaming misturando erotismo, crítica política e mistério, já está com sua segunda temporada sendo gravada
por Rayanne Tovar
Baseada no livro homônimo de 2021, “The Hunting Wives” acompanha Sophie O’Neil (Brittany Snow), uma ex-publicitária e militante democrata que se muda para uma pequena cidade do Texas após o marido mudar de cargo no trabalho. Longe da vida urbana e progressista, Sophie passa a conviver com um grupo de mulheres ricas, donas de casa, republicanas, armadas, bêbadas e entediadas, ou seja, uma combinação explosiva que rapidamente sai do controle.
Brittany Snow beijando mulheres já seria motivo suficiente para dar o play. A atriz, conhecida pela franquia “A Escolha Perfeita” (“Pitch Perfect”), finalmente assume uma personagem explicitamente sáfica, um alívio para quem cansou do eterno queerbaiting que marcou “Pitch Perfect”.
Entre megaigrejas, discursos anti-imigração, leis antiaborto e obsessão por armas, a série constrói uma sátira política afiada. No centro do caos está Margo Banks (Malin Åkerman), esposa de Jed (Dermot Mulroney), poderoso empresário, apoiador da NRA e possível candidato a governador e também chefe de Graham, marido de Sophie.

Margo é o ponto fora da curva. Sedutora, manipuladora e aparentemente mais liberal quando o assunto é prazer, ela não esconde sua hipocrisia: “Casamentos abertos são coisas de liberal”, afirma, antes de explicar que ela e o marido “têm um acordo”. É justamente nessas contradições que a série encontra sua força.
A conexão entre Sophie e Margo é imediata e carregada de tensão sexual desde os primeiros minutos. Sempre que Sophie se sente deslocada naquele universo conservador, Margo a puxa para perto (muitas vezes de forma literal).
E Margo, claro, não se limita a um único relacionamento. Além do marido, ela mantém um caso com Callie (Jaime Ray Newman), esposa do xerife da cidade, e também se envolve com Brad (George Ferrier), o filho adolescente de Jill (Katie Lowes), uma de suas amigas, ampliando ainda mais a rede de escândalos e segredos que envolvem as mulheres conservadoras da cidade.

Com tanto sexo, drogas, bebida e desejo reprimido, o embate entre democratas e republicanos acaba ficando em segundo plano. Ainda assim, a crítica social permanece presente, especialmente quando Sophie, tentando se encaixar, compra uma arma e acaba se tornando a principal suspeita de um assassinato que abala a cidade de Maple Brook: a morte de uma jovem líder de torcida.
O suspense se equilibra bem com o tom cômico e o erotismo. A cada episódio, a vontade de continuar assistindo cresce, seja para descobrir quem matou a adolescente, seja para acompanhar as cenas intensas entre as protagonistas, que esbanjam química.
Se nada disso te convenceu, talvez The Hunting Wives realmente não seja para você. Mas, se suspense, crítica política, humor ácido e “sáficas trambiqueiras” fazem parte do seu cardápio, a série é um prato cheio.
Com a 2ª temporada já confirmada e em gravação, “The Hunting Wives” estreia forte e deixa claro que ainda há muito caos, desejo e hipocrisia conservadora pela frente.
Foto em destaque: Divulgação: “The Hunting Wives”