Com a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 em Milão e Cortina d’Ampezzo em 6 de fevereiro, uma nova geração de atletas LGBTQIA+ toma o centro do palco, não apenas pela excelência esportiva, mas também pela representatividade
por Maxine Pereira
As Olimpíadas de Inverno 2026 Milão e Cortina d’Ampezzo são um marco de visibilidade, dezenas de atletas lésbicas, bissexuais e queer estão competindo em modalidades como hóquei no gelo, patinação, esqui e skeleton.
Porta Bandeira Brasileira
Nicole Silveira, atleta de skeleton e porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura é natural do Rio Grande do Sul, chega à sua segunda Olimpíada após ter disputado Pequim 2022 e se consolidado, em 2025, com o melhor resultado da história do país em Campeonatos Mundiais da modalidade, com um quarto lugar.
A brasileira ganhou destaque recentemente ao subir ao pódio da Copa do Mundo, ao lado de sua esposa, que venceu a etapa, Nicole e Kim passaram a ser informalmente associadas ao “Time BB”, Brasil e Bélgica.
Kim Meylemans, por sua vez, é atleta da Bélgica e também competirá pela medalha olímpica na mesma modalidade, rivalizando diretamente com Nicole. O casal oficializou a união em 2025, após anos de relacionamento e conquistas paralelas no skeleton mundial.

Além de competir, Nicole e Kim foram convidadas como embaixadoras da Pride House de Milão, um espaço institucional de acolhimento à comunidade LGBTQIA+ durante os Jogos, reforçando o impacto cultural dessa participação. Nicole competirá nos dias 13 e 14 de fevereiro.
Hóquei no gelo
O hóquei feminino em Milão é o esporte com o maior número de atletas abertamente LGBTQIA+, reunindo 23 jogadoras de diferentes seleções, tendo alguns casais que caminham juntos rumo ao pódio.
Entre eles está a goleira canadense Emerance Maschmeyer, referência mundial em sua posição e campeã olímpica. Ela é casada com Geneviève Lacasse, ex-goleira da seleção do Canadá, sua esposa desde 2023. O casal tem um filho e costuma falar publicamente sobre maternidade, carreira esportiva e visibilidade LGBTQIA+.
Outra história que chama atenção envolve duas defensoras europeias: a sueca Anna Kjellbin e a finlandesa Ronja Savolainen, que mantêm relacionamento desde 2019 e chegam aos Jogos defendendo seleções adversárias. Em entrevista ao jornal Ottawa Citizen, Savolainen resumiu a dinâmica: “No gelo, não importa quem esteja na frente. Se for ela, eu vou marcá-la como qualquer outra jogadora. Depois a gente resolve fora da pista”.

Nos Estados Unidos, a veterana Hilary Knight, uma das maiores artilheiras da história do hóquei feminino, vive um relacionamento com Brittany Bowe, estrela da patinação de velocidade. O casal tornou público o namoro em 2022 e, desde então, tornou-se uma das faces mais conhecidas da visibilidade queer nos esportes de inverno.
Pelo Canadá, também se destacam Marie-Philip Poulin e Laura Stacey, ambas integrantes da seleção nacional e casadas desde 2024. Poulin, capitã da equipe e múltipla medalhista olímpica, é considerada uma das maiores jogadoras de hóquei de todos os tempos.
Além desses relacionamentos, muitas outras jogadoras abertamente LGBTQIA+ estão nas pistas de hóquei, como Cayla Barnes e Alex Carpenter (EUA), e Lore Baudrit (França), refletindo um aumento substancial da visibilidade queer na modalidade.
Outras atletas que merecem atenção
Na patinação artística, a norte-americana Amber Glenn faz sua estreia olímpica em 2026. Pansexual, ela tornou-se uma das primeiras atletas de elite da modalidade a se declarar publicamente queer, em um ambiente historicamente marcado por conservadorismo. Glenn chega aos Jogos como uma das principais patinadoras dos Estados Unidos após temporadas de crescimento técnico e bons resultados no circuito internacional.
No esqui estilo livre, a suíça Mathilde Gremaud, campeã olímpica e presença constante em finais, é outro nome relevante entre atletas queer que já conquistaram pódios olímpicos. Reconhecida pela regularidade e alto grau de dificuldade em suas manobras, Gremaud é uma das líderes da nova geração da modalidade.

Já no esqui alpino, a norte-americana Breezy Johnson, que se identifica como bissexual, aparece entre as principais velocistas da competição, com resultados expressivos em provas de downhill e super-G ao longo do ciclo olímpico. E na patinação de velocidade, a tcheca Martina Sáblíková, uma das maiores medalhistas da história do esporte, mantém relacionamento de longa data com Nikola Zdráhalová, também atleta da modalidade. Juntas, somam múltiplas medalhas olímpicas e títulos mundiais.
Além das medalhas, um legado de representatividade
As Olimpíadas de Inverno 2026 não apenas celebram performances esportivas, mas também marcam um momento histórico de visibilidade queer em esportes de inverno.
Histórias como a dos atletas citados pavimentam o caminho para futuras gerações, mostrando que amor, identidade e excelência esportiva podem coexistir sob os holofotes olímpicos.

Foto em destaque: Jamie Squire/POOL/GETTY IMAGES