30 anos de orgulho: a 30ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ no Rio de Janeiro

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Da orla de Copacabana ao protagonismo de causas diversas, um domingo de festa, luta e visibilidade

por Rayanne Tovar 

No último domingo, 23, a orla da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, tornou-se palco de uma edição histórica da Parada do Orgulho LGBTI+. Celebrando 30 anos de existência, o evento reuniu uma multidão tomada por cores, música, diversidade e afeto, com destaque para a presença da cantora Daniela Mercury, que conduziu o principal trio elétrico e fez da festa uma celebração da arte como instrumento de visibilidade e resistência.

Foto: Reprodução: BrazilNews

E por falar em resistência, a saudosa Preta Gil foi homenageada durante toda a parada — desde a coletiva de imprensa, quando o Coro do Grupo Arco-Íris apresentou a canção “Sinais de Fogo”, até o desfile pela orla de Copacabana, onde era possível ver dezenas de bandeiras com o rosto da artista e os dizeres “Obrigado”. Uma dessas bandeiras chegou ao trio elétrico pelas mãos da atraçãoprincipal, Daniela Mercury. Em determinado momento do show, a cantora abriu uma bandeira com as cores do arco-íris estampada com a imagem de Preta Gil e interpretou “Sinais de Fogo”, clássico do repertório da artista, que foi uma voz importante na luta pelas causas LGBTI+.

Organizada pelo Grupo Arco-Íris desde 1995, a Parada é um dos maiores eventos de visibilidade LGBTI+ da América Latina e se consagrou como a primeira parada do Brasil.

Com o tema “30 anos fazendo história: das primeiras lutas pelo direito de existir à construção de futuros sustentáveis”, a parada contou com 13 trios que transformaram a orla em um grande carnaval da diversidade. A abertura dos trios reforçou o caráter plural do evento: mulheres lésbicas e bissexuais puxaram o início do cortejo em blocos temáticos, seguidas por um trio trans; representações LGBTI+ das favelas e periferias tomaram lugar de protagonismo; pessoas LGBTI+ negras estiveram em destaque; e um trio de tema indígenas trouxe ao desfile uma homenagem à Amazônia e aos biomas brasileiros, reafirmando que diversidade e território caminham lado a lado.

Foto: Laura Magro/Lesbocine

No trio dedicado às mulheres lésbicas e bissexuais, novas vozes da música brasileira assumiram a cena com ritmos variados — MPB, pop, rap e fusões experimentais. Entre elas, Manu Zullu, Tati Maia, Tulla e Zyllus incendiaram o público com performances intensas e representativas, reforçando a importância de dar espaço às artistas sáficas e à produção cultural feita por mulheres que amam mulheres.

Mesmo com o clima de celebração, o caráter ativista da parada esteve presente do início ao fim. A arte e a cultura LGBTI+ ganharam palco, mas também dividiram espaço com ações de inclusão e cidadania. Um camarote especial recebeu pessoas com deficiência e famílias inclusivas; serviços públicos ofereceram atendimentos que iam desde a distribuição de preservativos e materiais informativos sobre saúde, orientações para retificação de nome e direitos sociais, até ações voltadas à educação ambiental, assistência social e acolhimento humanizado em pontos de atenção.

A 30ª Parada do Orgulho LGBTI+ no Rio de Janeiro chega ao fim como um marco — não apenas numérico, mas simbólico. Ver Daniela Mercury, uma mulher que ama mulheres, conduzindo o trio principal e sendo a maior voz do evento tem peso histórico. A presença da cantora é um lembrete para todas nós de quem está verdadeiramente na linha de frente exigindo nossos direitos com sua visibilidade e potência.

Três décadas depois da primeira marcha, a parada permanece sendo um grito por direitos, mas também um abraço coletivo que lembra à comunidade que existir, amar e celebrar ainda é um ato político. E que Copacabana, mais uma vez, foi testemunha desse orgulho.

Foto em destaque: RioTur

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