Por: Rayanne Tovar
A 5ª temporada de Bridgerton, um dos maiores sucessos da Netflix, acaba de ganhar novos nomes em seu elenco e mais detalhes sobre a trama. A produção, comandada por Jess Brownell e produzida por Shonda Rhimes, terá oito episódios e segue em gravações em Londres, na Inglaterra.

Entre as adições, Tega Alexander interpretará Christopher Anderson, um sedutor típico da era da Regência que esconde inseguranças por trás de sua imagem confiante. Jacqueline Boatswain dará vida a Helen Stirling, mãe de Michaela, descrita como uma figura forte que equilibra afeto e firmeza ao guiar a filha na alta sociedade londrina. Já Gemma Knight Jones será Lady Elizabeth Ashworth, antiga amiga de Michaela, sua confidente e aliada estratégica em meio às complexas regras sociais da época.

A nova temporada será centrada em Francesca Stirling (Hannah Dodd), que, dois anos após a morte do marido, decide retornar ao mercado de casamentos. No entanto, a chegada de Michaela Stirling (Masali Baduza), prima de seu falecido esposo, desperta sentimentos inesperados e coloca em xeque suas escolhas, marcando a primeira vez que a série terá um casal da comunidade LGBT+ como foco central.
Mas, enquanto a produção expande seu universo e aposta em novas dinâmicas, o anúncio da mudança na história tem sido acompanhado por uma onda de reações negativas nas redes sociais.
Até quando o preconceito vai se esconder atrás de “críticas”?
Uma das maiores séries da Netflix chega à 5ª temporada com um casal lésbico no centro da trama. Em Bridgerton, Francesca se apaixona por Michaela, prima de seu falecido marido, John.
A controvérsia gira em torno dessa mudança. Nos livros, o personagem Michael Stirling, primo de John, é apresentado na série como Michaela. Para quem não leu When He Was Wicked, após a morte de John, Francesca vive um segundo grande amor com Michael. Na adaptação, essa dinâmica foi alterada, e parte do público reagiu acusando a série de “forçar diversidade” na história.
Baseada na obra de Julia Quinn, a série já fez diversas alterações em temporadas anteriores sem gerar grande comoção. Desta vez, porém, a inclusão de um casal entre duas mulheres desencadeou uma onda de hate nas redes sociais da Netflix, da Shondaland e da própria autora, com críticas desproporcionais e marcadas por lesbofobia.
Os comentários vão desde a invalidação da atriz Masali Baduza, intérprete de Michaela, até pedidos de boicote para que a história volte a focar em um casal heterossexual. Além de desrespeitoso, isso é cruel. Como um único casal lésbico em uma temporada causa tanto incômodo, enquanto a maioria das produções segue centrada em romances heterossexuais?
Alguns fãs afirmam que não pretendem assistir à temporada.
“Quanto mais temporadas a gente tem, mais a Netflix destroi o espírito de Bridgerton”, escreveu uma internauta em uma publicação de Julia Quinn sobre o novo arco.
Em outro comentário, uma fã afirma:
“Não é homofobia em relação à Michaela, mas elas realmente não têm química. Eu odeio que queiram incluir a comunidade em histórias onde isso não funciona. Dá pra criar mais histórias pra representar sem estragar uma que já existe.”
Já em uma postagem da Netflix, surgem frases como “Então que escrevam romances queer” e “Netflix querendo fazer a gente engolir essa porcaria.”
Em outro comentário: “Tudo bem pessoas queer existirem, mas não nessa história.”
Nossa comunidade já é constantemente silenciada e, quando conquista um espaço mínimo de representatividade, ainda precisa lidar com tentativas de apagamento.
O hate, ou melhor, a lesbofobia que aparece nesses comentários, não pode ser normalizado. É preciso se posicionar, exigir mais diversidade e, principalmente, apoiar as atrizes que estão dando vida a esse romance. Mesmo diante de um público que ainda resiste, elas seguem ocupando esse espaço, e isso, por si só, já é um ato de resistência.