Colunas , Entrevista , Notícias - Publicado em 14.fev. 23

A FANFIC QUE SE TORNOU UM FENÔMENO ENTRE AS WEBSÉRIES

Stupid Wife“, da autora Nathalia Sodré, começou como uma obra de ficção na plataforma do Wattpad, no meio da década de 2010. Tamanho foi o sucesso da fanfic, posteriormente a obra de transformou num livro físico publicado pela editora Euphoria em 2022, agora sob o nome de “Lembre-se de Nós“.

Mais tarde, a produtora Ponto Ação deu vida à história de Sodré em uma WebSérie, também lançada gratuitamente na plataforma Youtube no final do ano passado. Em “Stupid Wife”, Priscila Buiar vive Valentina, uma dedicada fotógrafa e mãe que tem sua vida virada ao avesso quando sua esposa Luiza (Priscila Reis) acorda completamente sem memória de seu casamento e de toda a sua vida juntas.

PRISCILA BUIAR: MODELO, ATUAÇÃO E REPRESENTATIVIDADE

Priscila Buiar é atriz, de Maringá (PR), formada em Artes Cênicas e já deu vida a outros personagens LGBTQIAP+ como Manuela, em “Magenta”Teve outros trabalhos de destaque em sua carreira, como o comercial para a Niely Gold no qual atuou ao lado de Giovanna Antonelli. Além disso, fez aparições em novelas como “A Força do Querer” e “O Rico e o Lázaro”, atuou na peça de teatro “Hamlet Essencial”, sob direção de Diego Anttunes. Seu papel de maior sucesso, no entanto, tem sido com Valentina em “Stupid Wife”, cujos episódios contam com mais de 1 milhão de visualizações no YouTube. A série é muito aclamada pelos fãs e faz parte dos assuntos mais comentados do Twitter semanalmente, quando os episódios são lançados.

Esta semana, a Equipe Lesbocine teve a oportunidade de entrevistar Buiar, que conta sobre suas outras produções, a comenta a repercussão da série e o carinho dos fãs. Confira a entrevista abaixo:

 

PERGUNTAS FEITAS PARA PRISCILA BUIAR E PRISCILA REIS

1. Vocês imaginavam tamanha repercussão da série? Afinal, são mais de 30 milhões de visualizações! Esperavam tamanho reconhecimento? 

PB: ​Nunca na minha vida rs. Quando o primeiro episódio bateu um milhão de visualizações em uma semana, eu fiquei realmente impactada com a proporção que a série tomou mundialmente, principalmente através das mensagens que recebi sobre a importância e representatividade que a série tem na vida de muitas pessoas. Ao mesmo tempo em que foi inesperado, foi algo que me deixou muito grata e realizada, porque depois de tantos anos de estudo este foi o primeiro que me abriu tantas portas e que trouxe reconhecimento ao meu trabalho.

2.​Com o sucesso da WebSérie, vocês imaginavam tantos fãs fora do Brasil? Vocês sabem dizer quais países a série alcança? 

PB: ​Não imaginava que a série fosse alcançar tantas pessoas de países e culturas diferentes, justamente pela fanfic ser brasileira e conhecida em um nicho específico. ​Fiquei sabendo, através das fãs, que a série já atingiu mais de trinta países, também recebo mensagens de vários lugares e isso me deixa muito feliz

3.​O público sáfico é um público caloroso. Qual a coisa mais inusitada que já receberam dos seus fãs? 

PB: ​Todos os presentes que recebo são muito especiais, mas algo que me marcou muito foi receber uma estrela com o meu nome justamente na data em que a série foi lançada, porque foi como se aquele momento tivesse sido registrado no Universo, para além do que estou vivendo hoje. 

4. ​Meninas, ambas sempre falaram dos altos e baixos. Qual conselho vocês dão para essa nova geração? 

PB: ​Eu comecei a trabalhar e estudar teatro aos nove anos de idade, e só depois de vinte e um anos é que fui ter meu trabalho reconhecido mundialmente. Acredito que cada trajetória seja relativa, de acordo com as oportunidades que vão surgindo para cada um. Como por exemplo, algumas pessoas podem conseguir uma grande oportunidade e terem o seu trabalho reconhecido no seu primeiro projeto, e outras – como é o meu caso – podem levar mais tempo. Com isso, acredito que independentemente do tempo que leve para que esse reconhecimento chegue, você precisa ser persistente e continuar se dedicando àquilo que você ama e deseja realizar. 

5.​Qual é a parte mais importante em dar vida para personagens sáficas? Principalmente pensando que a história de “Stupid Wife” nasceu de uma necessidade do público sáfico de se ver representado na mídia, como é ser parte desse movimento? 

​PB: Pra mim é uma honra dar vida a essas personagens, justamente pelo fato de que existem poucos conteúdos feitos para o público LGBTQIA+, que é um público grande mas pouco representado. É muito satisfatório receber uma mensagem de uma mulher de setenta anos agradecendo pela forma como esse projeto transformou a sua vida atualmente, já que naquela época, além do julgamento e da pressão social, ela não se via representada. E a melhor parte disso tudo é poder fazer parte desse projeto com a Ponto Ação, que já acompanho e admiro há tantos anos, e que traz essa representatividade como propósito em suas produções.

6.​Qual informação está faltando, ou não pode faltar, na página da Wikipédia de vocês? Como por exemplo, algum hobby específico, alguma história de infância que marcou muito a vida de vocês, uma coisa que ninguém sabe mas que é muito determinante pra quem vocês são! 

PB: ​Tem uma história que ninguém sabe sobre meu primeiro trabalho no audiovisual. Aos catorze anos, voltando de ônibus de um teste para um desfile de modelo – no qual eu não fui aprovada – um diretor de cinema me abordou me dizendo que eu era o perfil de uma personagem de um curta que estava prestes a ser filmado, e que a protagonista tinha desistido de última hora. Ele me convidou, eu aceitei e com o cachê desse trabalho, eu pude pagar o meu primeiro book profissional e seguir a carreira de modelo e atriz. 

7.​Como é a relação de vocês com a obra original (o livro Lembre-se de nós)? Vocês buscam se aproximar ao máximo das personagens originais ou se, sob a direção e a própria interpretação, vocês têm na cabeça sua própria visão sobre as personagens? 

PB: ​Eu descobri a obra através do convite para interpretar a Valentina, e li para ter um entendimento da estória e da essência da minha personagem. Mas acho importante ressaltar que “Stupid Wife” é uma adaptação do livro e por isso, vão haver algumas diferenças entre a obra e a série. ​Foi um misto entre o que eu captei durante a leitura, somado ao direcionamento das diretoras e roteiristas, e a liberdade que eu tive para criar e desenvolver a essência da minha Valentina. 

8.​Existe algum detalhe ou mudança que vocês sentiram necessidade de trazer pra série depois de terem contato com o texto original e interpretarem do seu próprio jeito? 

PB: De uma forma geral, quando você adapta um livro para uma série ou um filme, você intensifica alguns conflitos para que o enredo da estória tenha muitas nuances. E essas mudanças e detalhes dependem mais da proposta do roteiro do projeto do que da minha visão como atriz. Quando eu sinto a necessidade de alguma alteração, eu faço a sugestão para que a direção ou roteirista aprove ou não.

9.​Como foi pra vocês gravarem a cena do teatro que tinha muitos fãs na figuração? Qual a sensação de ver ao vivo tantas pessoas que gostam do seu trabalho? 

​PB: Foi muito emocionante sair da coxia e escutar aplausos e pessoas gritando o meu nome. Foi uma sensação que eu nunca tinha sentido na vida. A melhor parte foi quando acabou a gravação e tivemos a oportunidade de dar um abraço em cada um, e sentir de perto como o meu trabalho influencia, de alguma forma, a vida dessas pessoas.

10.​Algo sobre a bachata, que é uma dança que vocês não conheciam e é algo importante para as personagens: como tá sendo pra vocês fazerem essas cenas com dança? Principalmente para a Reis que agora na 2ª temporada vai ter a performance da Luiza dançando no teatro! 

PB: Pra mim foi tranquilo, já que a minha personagem não é a professora de bachata (rsrs). Então, é como se eu tivesse “permissão” pra ter um conhecimento básico sobre o estilo da dança. Outra coisa que me tranquilizou foi que eu faço aula de balé desde 2019, o que me ajuda a ter uma boa consciência corporal, a conseguir acompanhar a contagem dos passos e a decorar a sequência dos movimentos.

11.​ Em quais atrizes brasileiras vocês mais se inspiram? Existe alguém que foi fundamental para vocês seguirem a carreira?

PB: ​A minha maior inspiração de todas sempre foi a Fernanda Montenegro, ainda mais depois de ler a sua biografia. Também gosto muito do trabalho de Letícia Colin, Alice Braga, Adriana Esteves e Marjorie Estiano.

 

PERGUNTAS FEITAS PARA PRISCILA BUIAR

1. Você já teve o sucesso de outra websérie, Magenta, você sabe a dimensão do alcance de Stupid Wife? Tem alguma diferença que você pode apontar? 

        Tanto Magenta quanto Stupid Wife são webséries independentes, que têm como propósito gerar conteúdos LGBTQIA+. Acredito que cada projeto tenha a sua história e trajetória, e me sinto muito honrada por fazer parte de ambos. Eu comecei a trabalhar em webséries através de Magenta, e tenho um carinho muito grande por essa oportunidade, porque foi ali que pude colocar em prática todos os meus estudos e cursos de audiovisual. Magenta também me abriu a percepção para atuar em outros projetos do YouTube como “Encontro”, “Marotos: uma História” e “Copo Descartável”. Foi lá também que conheci a Priscilla Pugliese – o que posteriormente me daria a oportunidade de fazer o teste para Valentina. Acredito que todo trabalho é uma oportunidade para dar o seu melhor, e que se você dá 100% de si, outras oportunidades se abrirão depois disso.

2. Quando você teve o start de sair da casa dos seus pais para seguir a carreira de modelo e atriz?

          Sempre tive o sonho de viajar para muitos lugares do mundo. Desde que comecei a modelar que tinha isso em mente, pois a profissão dá essa possibilidade. Mas meus pais sempre priorizaram os estudos, já que eles não tiveram as mesmas oportunidades. Então eu segui o caminho normal, de terminar o colégio, e ingressei direto na faculdade (que era longe da cidade dos meus pais). Eu moro sozinha desde os 17 anos para me dedicar a atuação, e aos 19, tive a vontade e o convite para modelar fora do país, no México. Então tranquei a faculdade de Artes Cênicas e fui. Foi uma experiência legal, mas senti muita falta de atuar, estudar e me dedicar. Só modelar parecia ser muito pouco, me sentia incompleta. Então eu voltei e terminei a faculdade. Sempre uni o trabalho e o estudo.

 3. Ano passado você gravou o Som do Silêncio. Tem previsão de estreia do curta? Como foi fazer um personagem tão forte como Catarina? E como é viver Valentina?

Gravar o Som do Silêncio foi o maior desafio da minha carreira! A Catarina, minha personagem, é militar e representava tudo o que havia de pior na sociedade da época; Todos as pessoas preconceituosas, que não se importavam com a saúde mental e com o bem estar do outro, que repudiava qualquer um que fosse contra o que era considerado “correto” na época. Encarnar isso foi muito desafiador, ainda mais porque em uma das últimas cenas eu disparo um tiro no protagonista, e o ator é meu melhor amigo, o Ian Braga. Ao mesmo tempo, foi muito bom “conquistar esse lugar” dentro de mim. Fiz aulas para me preparar fisicamente, e ela também foi minha primeira vilã. É muito mais difícil (pra mim) do que encarnar a personagem sofredora, e eu amo me desafiar a cada trabalho. 

Já fazer a Valentina foi um desafio bom, mais leve. Temos cenas fofas, de amor, mas também temos cenas de briga, de conquista, de término… O que mais gostei e que me desafiou na Valentina, é a confiança que ela tem. Valentina é durona, confiante, debochada. Tive que encontrar esses aspectos em mim. Acredito que todos os personagens vêm pra nos ensinar algo sobre nós mesmos, e eu amo descobrir coisas novas sobre mim a cada trabalho!

 

Tanto Priscila Reis quanto Priscila Buiar foram indicadas para o BreakTudo Awards e são muito elogiadas pelo carinho que dedicam aos fãs, espalhados por todas as redes sociais com níveis altíssimos de engajamento. Ativa em suas redes, Instagram e Twitter, como @pribuiar, a atriz expressa toda sua gratidão com o público fiel e seus grandes admiradores.





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