Threads - Publicado em 13.set. 22

“Quero tornar as coisas mais fáceis para as lésbicas de hoje. Assim, vocês podem produzir os trabalhos que quiserem”. Barbara Hammer foi pioneira do cinema experimental e lésbico. Seu currículo conta com mais de 90 filmes, boa parte deles sobre lesbianidade.

Barba Hammer em 2011 por Astrid Stawiarz/Getty Images

Barbara Hammer nasceu em 15 de maio de 1939, em Los Angeles. Estudou Psicologia e fez mestrado em Literatura Inglesa. Na década de 70, se matriculou num curso de Cinema. A experiência mudou sua vida: Barbara encontrou, em uma tacada só, sua paixão profissional e sua sexualidade.

Nas aulas, Hammer descobriu ‘Meshes of the Afternoon’, de Maya Deren, clássico experimental que retrata as experiências interiores de cada indivíduo como vivências únicas.

A obra inspirou Barbara a criar filmes sobre seu mundo interior. Filmes que mais ninguém poderia criar.

Na época, Barbara era casada com um homem e trabalhava como professora. Ela se assumiu lésbica, deixou o emprego, comprou uma câmera Super-8 e saiu pelo mundo de motocicleta gravando imagens e experimentando narrativas.

Nesse ritmo, Hammer produziu 13 filmes em dois anos e meio.

Em 1974, Barbara Hammer filmou ‘Dyketactics’, hoje considerado por pesquisadores como o primeiro filme lésbico dirigido por uma lésbica.

 

Dyketactics (1974)

 

Foto: Arquivo Site Barbara Hammer

Visite: barbarahammer.com

O curta-metragem de 4 minutos é composto por uma sobreposição de imagens de lésbicas amando, criando, existindo e sendo felizes.

Outros destaques da filmografia de Hammer são ‘Superdyke’ (1975), comédia vanguardista sobre amazonas lésbicas tomando a cidade de São Francisco, e ‘Double Strenght’ (1978), um estudo poético sobre todos os estágios no ciclo de um relacionamento lésbico.

Superdyke (1975)

 

Double Strenght (1978)

O reconhecimento absoluto veio em 1992, com o filme ‘Nitrate Kisses’, documentário que discorre sobre a homofobia sofrida pela comunidade LGBT+ desde a 1a Guerra Mundial.

A obra foi destaque em alguns dos festivais mais importante do mundo, como Sundance e o Festival de Berlim.

Nitrate Kisses (1992)

Daí em diante, o trabalho de Bárbara se tornou um símbolo da arte feminista e ganhou terreno em grandes museus, como o Tate Modern, em Londres, e o Metropolitan de Nova York.

Ela também trabalhou com fotografia, colagem e instalações artísticas – como ‘Pond and Waterfall’, exposição em que um estetoscópio posicionado no coração dos visitantes captava seus batimentos cardíacos e, a partir deles, criava a trilha sonora de um filme.

Barbara Hammer em 2010 recriando sua famosa imagem

Desde 2017, um fundo sem fins lucrativos administra a “Barbara Hammer Lesbian Experimental Filmmaking Grant”, uma bolsa de estudos para cineastas lésbicas criada e administrada com recursos da própria Barbara, com o intuito de formar uma nova geração que faça cinema lésbico.

Barbara Hammer faleceu em março de 2019, aos 79 anos, após mais de uma década de luta contra um câncer de ovário. Ela deixou a esposa, Florrie Burke, com quem dividia a vida há 31 anos.

Por Elinor Carucci / The New Yorker

Assista ‘Dyketactics’, disponível gratuitamente no Vimeo: https://vimeo.com/450849825





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