Crítica - Publicado em 15.ago. 22
Diretor: Gabrielle Zilkha
Gênero: Documentário
Duração: 1h 33min
Ano: 2019
Sinopse:

Queering the Script, da escritora e diretora canadense Gabrielle Zilkha, documenta a história das mulheres lésbicas e bissexuais na televisão e como a internet deu origem a uma comunidade influente e muitas vezes negligenciada. m.


Assista o trailer:

“Queering The Scritp não apenas mapeia a evolução da representatividade LGBTQIA+, mas também demonstra o impacto extraordinário do ativismo dos fãs, garantindo que eles se vejam retratados com precisão na tela.”

Por Lua Barros.

“Queering The Script” é um mergulho profundo no mundo dos fãs cujas vidas são mudadas pelas escolhas de Hollywood, esse belo documentário nos convida a adentrar num mundo onde pessoas LGBTQIA+ encontram sua comunidade, representatividade e mais que isso, compreendem o seu eu por meio da mídia.

Nossa jornada se inicia na ClexaCon, o maior evento de cultura pop voltado para mulheres LGBTQIA+. Muito mais que um evento, a Clexacon é a materialização dos laços que criamos online e também do ativismo por uma representatividade mais positiva. Nesse espaço, as fãs confraternizam, trocam experiências, debatem sobre a representatividade e encontram as mulheres que as ajudaram aceitar suas sexualidades e identidades de gênero. Essa parte do documentário é bastante interessante, por expor minimamente todo o sistema de um fandom, as relações, a criação das fanfics, os cosplayers, as fanarts, tudo o que envolve esse universo e seu impacto nos fãs. Flourish Klink, Audience & Fan Culture Research, destaca, “existe uma diferença entre você gostar de uma série e você ser fã dela. A diferença é que quando você é fã de uma série, ela te ajuda a moldar sua personalidade e encontrar seu verdadeiro eu”.

O documentário explora bastante essa relação de aceitação, de você encontrar uma comunidade que te acolha e mais que isso, demonstra como essas histórias impactam positivamente na maneira como a sociedade enxerga pessoas LGBTQIA+. Inclusive, “Queering The Scritp” expõe que a medida que os produtores aumentaram a visibilidade de personagens LGBTQIA+ na TV, maior era a porcentagem de aceitação para o casamento homoafetivo nos Estados Unidos. Isso é a comprovação de que a função desses personagens vão muito além de entreter, eles ajudam a nos encontrar e mudam a forma como somos vistos pela sociedade.

O filme apresenta criadores de conteúdo, jornalistas, profissionais do entretenimento e fãs, que detalham desde o significado da palavra “shippar” até o ativismo por uma representatividade mais positiva, após a morte da Lexa. O documentário vai gerar uma série de discussões sobre a representatividade de latinos, de pessoas pretas, de pessoas trans, de como a morte da Lexa teve um impacto extremamente positivo, fazendo com que a mídia finalmente desse destaque para as constantes mortes de mulheres lésbicas e bissexuais em produtos audiovisuais.

Para gerar esse debate, ao longo de “Queering The Scrip” temos a presença de personalidades como Lucy Lawless, Dominique Provost-Chalkley, Angelica Ross, Stephanie Beatriz, os roteirista Steven Canals (Pose), Ilene Chaiken (The L Word), Tanya Saracho (Vida), Gloria Calderón Kellett e Mike Royce (One Day At a Time), que narram como seus personagens e suas séries impactaram a vidas dos seus fãs, e essas contribuições nos fazem compreender o longo caminho que percorremos e que ainda precisamos percorrer para que nossas histórias sejam cada mais realistas.

“Queering The Scritp” não apenas mapeia a evolução da representatividade LGBTQIA+, mas também demonstra o impacto extraordinário do ativismo dos fãs, garantindo que eles se vejam retratados com precisão na tela, nos fazendo perceber que não é somente os fãs que são impactados, mas como eles também podem impactar diretamente as escolhas que Hollywood está fazendo. Sem dúvidas, “Queering The Script” é um daquelas produções que todo mundo deveria assistir.

 





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