Entrevista , Música - Publicado em 05.jul. 22

Ana Olic é uma cantora de Ribeirão Pires que começou sua carreira há 4 anos, em 2018, quando lançou seu primeiro single. 

Bissexual, a paulista lançou seu primeiro EP, Inevitável, no último dia 25. Em um bate-papo com o Lesbocine, representado por Fernanda Meneses, a artista falou sobre seu processo criativo, inspirações e a liberdade de compor usando o relacionamento com outra mulher como matéria-prima. 

 

Primeiro queria que você contasse um pouquinho para a gente como sua trajetória começou.

Eu comecei bem novinha a fazer música, tinha 7 anos. Mas só tive essa coragem de me expor para o mundo aos 17, dez anos depois. Hoje eu tenho vinte e um. 

 

E agora você está lançando seu primeiro EP. Qual é a expectativa?

Eu fiz esse EP inteiro estando muito apaixonada. A expectativa é que as pessoas sintam o amor em cada parte. Quero que consigam dedicar pra quem elas amam, dedicar pra crush, dedicar para qualquer um por quem você tenha sentimentos bons. A maior expectativa é essa: que as pessoas sintam o amor e propaguem ele.

 

O que a gente pode esperar das letras e do som?

O EP todo é um R&B muito gostosinho. Mistura um pouco do que eu escuto desde sempre, que é H.E.R., Kehlani, esse R&B mais gringo. Mas também tem muita brasilidade, você ouve e sabe que é nosso. As músicas são muito românticas do começo ao fim, principalmente pras sáficas em geral. Mulheres que amam mulheres vão se sentir muito representadas. Eu sou apaixonada por uma mulher e esse é um EP que fiz pra ela. 

 

Esse trabalho foi todo feito sobre uma pessoa específica?

Todo. Todas as cinco faixas eu fiz pra mesma pessoa. É até engraçado porque quando comecei a escrever, não tinha certeza do que o relacionamento ia se tornar. A primeira faixa é sobre isso. Aí, a última música fala sobre perceber que eu amo essa mulher. O EP é meio que uma historinha, do momento em que comecei a gostar até o momento em que percebi que estava amando.

 

Ela já ouviu? O que ela achou?

Já! Ela ficou feliz e desacreditada, acho que não esperava. Eu disse que ia fazer um EP pra ela. Quando cheguei com ele pronto, foi tipo: “Nossa, você fez mesmo”. Comecei o trabalho quando a gente estava no início da nossa relação.  No final, quando as músicas ficaram prontas, foi o momento em que ela me pediu em namoro. 

 

E quanto tempo o EP levou para ficar pronto?

Escrevi o single principal, “Tempo pra Perder”, e deixei parado uns dois meses, pensando no que ia fazer com ele. Mas sempre que eu sentava pra compor, vinha essa faixa na cabeça. Aí, falei: “Não vai ter como”. Me reuni com meu produtor e disse que íamos fazer um EP em cima dessa música. Embarcamos nisso e, em um mês, tínhamos feito todas as melodias, todas as composições, mixado… 

 

Como você descreveria “Tempo pra Perder“?

Ela é muito animada, bem diferente do que eu tenho feito. Minhas músicas são um R&B mais calminho, mas essa eu até brinco que é como se eu estivesse saindo da primavera e chegasse o verão. Deixa bem, feliz, é música pra ouvir com a janela do carro aberta e o vento batendo, sabe?

 

Você compôs todas as músicas sozinha?

Escrevi todas sozinha, menos uma delas, que é um feat. Agora, a produção foi em parceria com o Lincoln [Ferraz]. 

 

Além da sua vivência enquanto pessoa LGBTQIA+, quais são suas inspirações?

Criei uma bolha em que estou cercada de representatividade. Então, é como se eu vivesse experiências o tempo inteiro. Às vezes, a inspiração de uma música não é nem o que eu senti, mas o que uma amiga sentiu com a namorada dela. 

 

Você citou a H.E.R., mas tem mais alguma artista que te inspira?

Gloria Groove! Gente, eu adoro Gloria Groove. Amo Carol Biazin, é a que eu mais escuto porque tem um som muito parecido com o meu. A Iza também é maravilhosa. 

 

A gente sabe que a aceitação de artistas LGBTQIA+ avançou bastante por parte do público, mas para mulheres lésbicas e bissexuais ainda é um pouco mais complicado. Como você enfrenta isso?

O medo da aceitação sempre existiu em mim, mas o que fiz para lidar com isso foi não esconder [a sexualidade] desde o princípio, porque aí ninguém pode ficar surpreso. Ataques são raros. Quando acontecem, acabam engolidos pelos fãs. 

 

O que significa, para você, poder cantar sobre quem você gosta, quem você é?

É uma liberdade muito grande. No comecinho da carreira, eu já cantava sobre isso, mas ainda não era assumida. Minha família ficava meio confusa: “Você está falando ela na música por quê?”. Quando o público começou a crescer, volta e meia apareciam postagens no Instagram, “Cantoras sáficas que você precisa conhecer”, e a minha foto estampando. Aí que percebi que teria que contar pra minha mãe. A música me libertou em vários âmbitos da minha vida. Agora, consigo me sentir leve. Sou o que sou para todas as pessoas, inclusive na minha arte.

 

Inevitável está disponível em todas as plataformas digitais.

 





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