Curiosidades - Publicado em 28.jun. 22

 

Hoje é Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+, uma data criada há 53 anos para relembrarmos a revolta de Stonewall, considerada a primeira parada do Orgulho já organizada. Liderada por Marsha P. Johson, uma mulher trans, a revolta de Stonewall é um lembrete da luta por direitos e por respeito que existe desde muito antes dos anos 60.

E, já que estamos falando das origens do movimento, é importante lembrar que o nome da comunidade nem sempre foi o mesmo. No início das movimentações políticas, o termo gay era usado como nome guarda-chuva para todas as identidades. Depois, mudou para o acrônimo GLBT (aqui no Brasil, popularizou-se GLS), que coloca o G de gay para representar homens homossexuais em primeiro e em destaque. 

Foi só depois dos anos 80, nos EUA, que a sigla mudou para colocar lésbicas na frente: LGBT. E isso aconteceu em sinal de respeito e agradecimento depois de um período de muito sofrimento na comunidade: a crise da AIDS.

Durante todo esse tempo, muitos homens gays faleceram por falta da tecnologia necessária para o tratamento da doença, mas não só por causa disso. Foi uma época marcada pelo preconceito e pela falta de compaixão com os pacientes de HIV, e coube aos demais membros da comunidade LGBTQ+ cuidarem dos seus. Foi aí que mulheres lésbicas entraram ao oferecer companhia, alimentação e cuidado hospitalar aos enfermos.

Esse movimento trouxe a compaixão entre homens gays e mulheres lésbicas que não existia antes no movimento queer. Lésbicas, inclusive, eram marginalizadas na comunidade, banidas de bares gays e segregadas das marchas. Mas, quando os homens gays mais precisaram, elas estavam lá, inclusive combatendo políticos e exigindo os cuidados necessários para seus irmãos de luta nos hospitais.

Mulheres lésbicas organizavam doações de sangue para pacientes de AIDS, pois homens gays eram proibidos de doar. Grupos como as Blood Sisters ficaram ativos durante anos, e faziam doações regulares aos hospitais com pacientes de HIV. Além disso, essas mulheres adentraram o sistema de saúde como enfermeiras, e contornaram esse ambiente heteronormativo e machista para conseguir refeições, roupas e dormitórios para homens gays acometidos pela doença.

 

reprodução: Women’s Museum

Lésbicas começaram a assumir papéis de liderança na comunidade LGBTQ+, quebrando a barreira de machismo que existia dentro do movimento pra abrir espaço para mulheres serem ouvidas – e, posteriormente, pessoas de outros gêneros também. E, por isso, como forma de celebrar, honrar e destacar mulheres lésbicas, elas passaram a ocupar um lugar de destaque no nome da comunidade. O L passou a vir primeiro.

reprodução: @mattxiv (Instagram)

Embora pareça uma mudança pequena, ela mostra não só a importância de lésbicas como parte da comunidade, como também mostra que somos mais fortes contra os preconceitos quando cuidamos uns dos outros. Nossa história é povoada de injustiças, inclusive dentro da própria comunidade, mas também tem momentos de esperança e resiliência que nos une. 

Nas palavras de Elizabeth Drescher, “colocar o L antes do G é mais do que brincar de sopa de letrinhas. É um sinal de respeito, de solidariedade, e esperança por um futuro de igualdade, justiça e amor.”





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