Notícias - Publicado em 11.abr. 22

Fã e hater! O final de Killing Eve, embora fosse esperado por muitos, deixou uma sensação de gosto amargo não só para os fãs como também críticos. 

Sandra Oh as Eve Polastri, Jodie Comer as Villanelle – Killing Eve _ Season 4, Episode 8 – Anika Molnar/BBCA

ATENÇÃO: Este texto contém spoilers! Não continue se não quiser ler.

A série, que antes chegou a arrancar elogios e conquistar prêmios pelas atuações de Sandra Oh e Jodie Comer, chegou ao seu fim apática fruto de uma decaída completa. A revista Variety publicou um artigo sobre o que achou do final e separamos alguns pontos.

Ao longo de quatro temporadas, ela [a série] gastou muito de seu tempo e energia subvertendo histórias de espionagem e fazendo escolhas genuinamente chocantes que deixaram os espectadores cambaleando. Em seus últimos minutos, porém, o show segue uma direção tão típica que é quase mais chocante. Depois que o final da série finalmente permite que Villanelle e Eve consumam sua longa tensão sexual e derrube os Doze, quase imediatamente se transforma em alguém assassinando Villanelle a sangue frio enquanto Eve olha horrorizada.

Em outro ponto, o portal comenta em descrença a decisão clichê dos minutos finais.

A coisa toda é tão abrupta, tão banal, tão surpreendentemente sem originalidade que, por um minuto de esperança, tive certeza de que tinha que ser um truque (…) Quando o letreiro do programa bate “THE END” na tela, é tão chocante que parece um tapa na cara. Se eu [a crítica em questão] fosse dar ao programa o benefício da dúvida, eu diria que fez uma escolha tão clichê de propósito. Como Carolyn, talvez a showrunner da quarta temporada, Laura Neal (que escreveu o final da série) quisesse surpreender as pessoas não surpreendendo as pessoas. Fazer tal movimento, no entanto, requer alguma sutileza séria que esse trauma de força contundente de um final simplesmente não tem.

Sandra Oh as Eve Polastri, Jodie Comer as Villanelle – Killing Eve _ Season 4, Episode 8 – Olly Courtney/BBCA

E continua…

Qualquer um que tenha visto um único thriller de espionagem poderia ter chamado isso de “torção” a uma milha de distância. Inferno, qualquer um que tenha investido em uma história de amor na TV entre duas mulheres queer deveria ter sido se preparando para a tragédia no segundo que Eve e Villanelle finalmente encontraram alguma aparente felicidade. É verdade que esse casal em particular era composto por um assassina e um espiã desonestas que flertavam com a morte ainda mais do que uma com a outra. Esse final de trabalho não necessariamente se resumiria a ambas saindo vivos. Mas se uma ou ambas iriam terminar a série morta, Eve se afastando de um abraço apenas para ver Villanelle piscando através de um ferimento de bala é uma cena de morte tão chata quanto possível. (Veja também: “Buffy, a Caça-Vampiros” infamemente matando Tara da mesma maneira há mais de 20 anos.) Por mais que a música crescente e as cenas angustiantes do corpo de Villanelle flutuando tentassem sublinhar o drama do momento, era previsível demais para ser eficaz.

O artigo também cita o fato de a criadora Phoebe Waller-Bridge (Fleabag) ter deixado o comando da série na primeira temporada e dando a continuidade do segundo ano para a roteirista Emerald Fennell (Bela Vingança, 2019) movendo a narrativa além de Eve esfaqueando Villanelle no estômago, destacando também a inevitável rotatividade na troca de roteiristas nos anos 3 e 4 tornando a série cada vez mais complicada.

Mas em seus momentos mais gratificantes, o show, no entanto, deliciava-se em manter seu público em suspense, evitando as curvas mais esperadas da estrada para descobrir avenidas mais intrigantes além. Com uma assassina caótica e uma mulher que não pode deixar de admirá-la em seu centro, “Killing Eve” estava no seu melhor ao descascar uma camada que ninguém sequer percebeu que estava lá para revelar algo mais nodoso e fascinante nela. Se deleitava com as piadas eróticas e macabras, desenterrando nos lugares mais inesperados (e até mesmo nojentos). Explorava o desejo feminino em suas formas mais cruas e perigosas sem descartá-lo. Desenhava retratos tão nítidos de mulheres ansiando por mais – pela vida, pela morte, por cada momento maravilhoso e terrível no meio – que tiravam sangue.

O artigo termina citando que; ‘quando era bom, “Killing Eve” era inteligente, sexy e verdadeiramente chocante’. E que o final tedioso ecoa com muitas conclusões decepcionantes, dando aos seus personagens, que já foram vibrantes, uma despedida maçante.

FONTE: Variety

A última temporada de Killing Eve foi exibido na rede britânica e americana no último domingo, 10. Aqui no Brasil a série está disponível na Globoplay, mas sem data de quando a quarta temporada irá aterrissar por aqui.





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