Colunas - Publicado em 01.dez. 21

Por Raquel Oliveira 

O dia 29 de agosto é marcado como o Dia da Visibilidade Lésbica, e o Lesbocine acredita que antes de falar sobre a luta contra o apagamento lésbico na sociedade, no cinema ou em qualquer outra área, é também importante voltar um pouquinho na história, e relembrar sempre as origens para seguirmos em frente.

Então, vamos falar dela: Safo, da ilha de Lesbos.

Safo foi uma poetisa da ilha grega de Lesbos que viveu no século 6 a.C., cerca de 2.600 anos atrás. Isso a coloca em um ponto na história em que, especificamente na Grécia antiga, de certa forma, era tido como natural sentir desejos por alguém do mesmo sexo. Safo usou esse fato para criar sua poesia, e a sua visão sobre amor e sexo entre mulheres atravessou séculos. Foi a partir dela que de deu a existência das palavras “lésbica” e “sáfico”.

Embora a origem da palavra “lésbica” inicialmente tenha sido “felação entre uma mulher e um homem” no período em que existiu, foi pela sua reputação em amar mulheres através de sua poesia que, em meados do século XIX, o termo foi ressignificado e passou a ser usado, como hoje se refere mais originalmente, a “alguém da ilha de Lesbos”.

Mas essa não é apenas a única forma de linguagem. O seu próprio nome é usado para a palavra “sáfica”, uma vez que a poeta tinha escrito tanto sobre o seu desejo por mulheres quanto por homens.  Os escritos contabilizam mais de 9 volumes. Sendo assim, é por causa de Safo que hoje usamos os termos que julgamos melhores e mais confortáveis.

Seu trabalho se tornou sinônimo do desejo lésbico, e à época, sua poesia não causava escândalo. Afinal, o que ela escrevia mostrava com naturalidade os sentimentos e as relações homossexuais.

Safo existiu, mas tudo que em sua volta e é cercado de mitos, lendas e polêmicas, tendo em vista que grande parte do seu trabalho se perdeu, queimado pela Igreja na Era Medieval, em um ato de censura pelo teor erótico de sua poesia.

É fato que, o que restou, mostrou que Safo tinha facilidade com as palavras, tendo impacto até hoje. A reputação de Safo muda frequentemente com o passar dos séculos, ao se refletir sobre sua arte (que se tornou contemporânea), que fala de sociedade, gênero e sexualidade, e por ter popularizado a ideia do sofrimento do amor romântico.

Falar sobre Safo é complexo e requer muito mais que um breve texto como este. Ela é classificada como uma das melhores poetas de todos os tempos, e talvez seja por isso que há uma certa tentativa de apagamento na definição de sua sexualidade, tendo alguns acadêmicos dito que ela era heterossexual.

Mas é seguro dizer que os fragmentos de sua poesia apontam com precisão para o que Safo falava e escrevia sobre o amor homoafetivo. Mais que uma definição de sexualidade, Safo é uma influência na maneira mais poética de demonstrar e falar sobre o amor entre mulheres. Safo é um símbolo.





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