Crítica - Publicado em 01.dez. 21
Diretor: Phoebe Waller-Bridge
Gênero: Drama
Duração: 3 temporadas
Ano: 2018
Sinopse:

Eve é uma agente secreta que fica obcecada em conseguir capturar uma misteriosa assassina, o que a leva a embarcar em uma perigosa caçada.


 

Texto extremamente inteligente + pitadas de humor sarcástico + liderança de duas atrizes incrivelmente talentosas + twists de nos fazer pular da cadeira = Killing Eve.

Criada e produzida para a tv por Phoebe Waller-Bridge (Fleabag), transmitida pelo canal britânico BBC e no Brasil disponível na Globoplay, Killing Eve é baseada no livro “Codinome Villanelle”, do escritor Luke Jennings. A produção é bem curtinha e contém uma leva de oito episódios por temporada. Embora não leve à risca o seguimento do livro, se tornou melhor que o mesmo, dado a incrível astúcia e dinâmica que PWB criou para as duas protagonistas. 

Com produções internacionais ambiciosas nas duas primeiras temporadas, na qual um dos pontos técnicos marcantes da produção seja mostrar que a série não é ambientada somente em Londres, e sim em vários pontos e países da Europa, somos apresentadas à história de Eve (Sandra Oh), uma americana que reside em Londres, casada, que trabalha na inteligência britânica, MI5. Eve descobre que assassinatos pela Europa aparentemente aleatórios foram cometidos pela mesma pessoa: uma mulher, conforme a sua intuição. Na outra ponta, a assassina de aluguel, Villanelle (Jodie Comer), é uma russa fashionista e altamente eficiente em sua maneira de matar, muitas vezes surreais, e trabalha para uma misteriosa organização. Villanelle é sagaz, sedutora, poliglota, viciada em sexo e psicopata. Eve e Villanelle acabam encontrando em tantas situações ao longo da história, uma obsessão de mão dupla. É daí que temos o termo “gato e rato”; Eve cada vez mais obcecada em prender Villanelle e Villanelle cada vez mais obcecada em mostrar para Eve do que é capaz. 

Toda essa dinâmica formada, acaba transformando a relação conturbada delas numa áurea sexual. Elas se veem cada vez mais presas uma à outra e atraentes uma para outra. Isso fica bem mais nítido na segunda temporada que mesmo sem Phoebe Waller-Bridge no comando do roteiro, a produção mantém o seu nível e ainda se mostra mais frenética e emocionante. Mais arco e aprofundamento é dado na temporada, até que chega ao ponto de Eve e Villanelle trabalharem juntas. 

Chegando à terceira temporada, vemos que certas decisões tomadas no decorrer da segunda temporada tiveram consequências. Digamos que toda série que começa com um grau alto de excelência e na sua sequência alcança um pico maior, geralmente sofre (ou não) com a temporada seguinte. Ela pode ser considerada uma espécie de “ponte” no seu plot (nome dado para enredo). Com todo o seu plot construído, com fãs já conquistados, a produção de uma série se vê no desafio de manter o seu público e sua audiência. É então que notamos mudanças de rumos e personalidades de seus personagens. Com outra mudança de comando no roteiro, Killing Eve 3ra temporada não ficou isenta disso. Não que a temporada seja ruim, a série continua entretendo, ágil na sua história. Vemos uma certa rendição na relação de Eve e Villanelle, e é aí, que um gancho é colocado para o espectador. Você definitivamente termina a temporada sem saber o que esperar para o quarto ano, que já está renovada. Mas devido a pandemia, pode chegar para depois de 2021. 

Tanto talento e grande produção rendeu para Sandra Oh o prêmio Globo de Ouro 2018 como Melhor Atriz em Série Dramática e para Jodie Comer o Emmys 2019 de Melhor Atriz em Série Dramática. Comer foi uma das atrizes mais jovens a vencer nessa categoria. E o BAFTA 2019 de Melhor Série Dramática para a série e de Melhor Atriz Coadjuvante para Fiona Shaw, que faz um belíssimo trabalho de apoio para a trama. 

Texto extremamente inteligente + pitadas de humor sarcástico + liderança de duas atrizes incrivelmente talentosas + twists de nos fazer pular da cadeira = Killing Eve. Esse thriller de espionagem traz uma combinação que por mais que seja batida no cinema, quando trazida para a tv com nuances e formas femininas, o gosto de satisfação e representatividade fica maravilhoso. De prender o espectador com uma briga de “gato e rato”, e brincar com a questão moral do mesmo fazendo questionar por quê criar empatia com sadismo, Killing Eve é uma produção contemporânea que a tv estava precisando e agradece. Uma pena que atualmente temos bastante tempo para esperar, ansiar e teorizar o que vem por aí na quarta e última temporada.

Por: Raquel Oliveira





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