Crítica - Publicado em 01.dez. 21
Diretor: Todd Haynes
Gênero: Romance
Duração: 1h58
Ano: 2015
Sinopse:

Therese Belivet tem um emprego entediante em uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece Carol, uma elegante e misteriosa cliente. Rapidamente, as duas mulheres desenvolvem um vínculo amoroso que terá consequências sérias.


Assista o trailer:

O fato de Carol ser um filme esplêndido é devido a não só direção sutil de Todd, mas principalmente o seu roteiro ser totalmente comandado por uma mulher, Phyllis Nagy, que através de duas atrizes incríveis soube transmitir para a tela cenas de diálogos e olhares fascinantes, mostrando uma história de amor executada com elegância.

As festas de fim de ano estão se aproximando, e Carol e Therese trocam o primeiro olhar na loja em que Therese trabalha e é a partir daí, que elas nos levam para a Nova Iorque do início dos anos 50. Carol, é uma mulher mais velha em processo de separação e tem uma filha pequena, já Therese, é uma jovem aspirante a fotógrafa que trabalha numa loja de brinquedos. O que ambas não contavam é que a troca magnética de olhares iria ser tão intensa que posteriormente despertaria um sentimento avassalador de paixão e amor.

O divórcio está começando a ser mais “normalizado”, mas a homossexualidade ainda é tratada como distúrbio e imoralidade, e para viver numa sociedade tão opressora assim, o único meio de se proteger da fúria alheia, é camuflar os sentimentos de maneira que apenas só sendo perspicaz para decifrá-los. E o longa cumpre com maestria essa dinâmica silenciosa entre os olhares das protagonistas. Haynes cria na atmosfera de Carol todos os ambientes confortáveis para o desenvolvimento de uma história de amor, até que chegamos em pontos altos quando tudo fica mais sério, e não há mais volta para a sufocante vida monótona imposta pela sociedade. Elas não querem. 

A paleta de cores do filme é opaca. As cores refletem no guarda roupa das protagonistas, Carol sempre usando vermelho, cor quente, sedutora e apaixonante. Therese usando verde, tímido indeciso, inocente. 

Cate está brilhante neste filme. A sua linguagem corporal é comandada com maestria e Mara está deslumbrante com a retraída Therese, transmitindo todos os seus sentimentos através do olhar. A trilha sonora a cargo de Carter Burwell está no tom do filme de época, nos envolvendo nas cargas dramáticas e suaves. E o elenco de apoio com Sarah Paulson e Kyle Chandler são ótimos e precisos.  

O fato de Carol ser um filme esplêndido é devido a não só direção sutil de Todd, mas principalmente o seu roteiro ser totalmente comandado por uma mulher, Phyllis Nagy, que através de duas atrizes incríveis soube transmitir para a tela cenas de diálogos e olhares fascinantes, mostrando uma história de amor executada com elegância. 

E é dessa forma, elegante, sofisticado e suave que o diretor Todd Haynes nos apresenta Carol, esse belíssimo drama Oscar bait da temporada daquele ano (2015-2016), e baseado no livro “The Price of Salt”, de Patricia Highsmith. O filme não foi indicado a Melhor Filme no Oscar e gerou burburinhos por tal esnobada, porém, Cate Blanchett e Rooney Mara foram indicadas respectivamente a Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante por suas atuações. 

Por: Raquel Oliveira





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