Threads - Publicado em 01.dez. 21

Por: Raquel Oliveira

O ano era 2013, e Orange is the New Black era lançada na recém-chegada Netflix. Considerada uma das pioneiras do streaming, a série vinha com uma temporada completa lançada de uma vez – e para ficar. A única plataforma que aceitou o show na época via o desafio de prender o espectador com episódios de uma hora, então a temática inicialmente cômica foi um triunfo para a conquista do público. Adaptação do livro de Piper Kerman, que conta a sua experiência durante um ano em um presídio por ser cúmplice de sua ex-namorada traficante, OITNB explodiu em popularidade.

A partir do ponto de vista da protagonista, que passa a conhecer mulheres de diferentes classes, culturas e etnias, a série passou a abordar mais a diversidade e temas sérios, e o que se encontrou foi uma porta para conscientizar mais os espectadores sobre algo que existe na vida real: as condições precárias do sistema prisional feminino num país de potência mundial. Com isso, a série permitiu que as vozes dessas mulheres (num elenco predominantemente feminino) fossem ecoadas através da ficção, e o espaço às minorias deu um imenso impacto sociocultural que vimos ao longo de sete temporadas.

  • Conforme o tempo passava e assuntos sociopolíticos no sistema estadunidense aconteciam na vida real, Orange is the New Black introduzia na história reflexos sintomáticos desse sistema, como o aprofundamento da personagem Sophia Burset (Laverne Cox), abrindo caminho para a pauta trans, a resistência e o racismo em grande destaque na trama.

  • [SPOILER] Poussey Washington (Samira Wiley), foi, sem dúvidas, o grande divisor de águas da série. Traumática e angustiante, mostrou para todos os espectadores a realidade do racismo sistemático que mata pessoas negras no mundo todo. A morte de Poussey foi quase um grito de dor aos casos de opressão policial que acontecem até hoje, como um prelúdio ao que viria acontecer com George Floyd, em 2020.

  • O impacto, saindo da ficção para a realidade, foi a criação do ‘Poussey Washington Fund’, com objetivo de fornecer ajuda financeira para recém-liberadas da prisão, a fim de ressocializá-las.

A luta contra a opressão que essas mulheres dividem dentro do presídio é reconhecida na série e assim, racismo, LGBTQIA+fobia, xenofobia, saúde mental, gordofobia e sexismo são constantemente debatidos nas histórias sublinhadas das personagens cativantes e carismáticas.

Orange is the New Black não era só resistência e luta, mas também falava de amor. Amores conturbados, amores nascidos dentro na prisão, amores maternos, fraternos, amizade. Todas aquelas mulheres eram extremamente passionais, e nos faziam torcer por suas reestruturações e rendições. Com sete temporadas e mais de 105 milhões de espectadores, a série chegou ao fim em 2019 fazendo sempre o que fazia melhor: conscientizar, mostrando que a luta das minorias irá permear sempre.

Orange is the New Black será sempre lembrada por nós como uma pioneira na televisão da década de 2010, em uma época em que viver sendo quem é, já é um ato de resistência.





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