Crítica - Publicado em 05.nov. 21
Diretor: Sebastián Lelio
Gênero: Drama
Duração: 1h44
Ano: 2017
Sinopse:

Marina é uma mulher transexual que precisa enfrentar o preconceito da família do ex-companheiro.


Assista o trailer:

Protagonizado pela atriz transexual Daniela Vega, Uma Mulher Fantástica traz uma história delicada de luta contra a transfobia. Fez história no Oscar ao ganhar a categoria de Filme Estrangeiro e ser o primeiro estrelado por uma atriz transexual. 

Um marido exemplar larga tudo, mulher e filhos pela amante. Ele e sua agora atual namorada, assumem o namoro, vão morar juntos, mas em uma noite, ele acaba morrendo por uma consequência de saúde, e a namorada se torna suspeita da sua morte, sendo a partir daí o início do inferno que a namorada viria a passar. Essa seria uma história clichê se não fosse por um “pequeno” detalhe: a namorada é uma mulher trans. Então, a partir daí Sebastián Lélio nos traz uma abordagem dessa perspectiva da vida de Marina de forma delicada. 

Garçonete de dia, a noite canta em boates e de madrugada tinha seu amado, Marina entra em uma espiral de tormentos dias seguintes à morte de seu companheiro, sofrendo com olhares maldosos, palavras transfobicas da família dele e da polícia pela suspeita de assassinato. Marina se vê perdida sem saber como reagir, apenas tentando seguir a vida, agora sozinha, de forma automática. Lutando pelo simples direito de se despedir de seu amado, ela é proibida de fazê-lo, mas nem por isso ela abaixa a cabeça. 

Neste longa vimos que a transição e o entendimento de si mesma não são o bastante diante os olhos da sociedade tão opressora e maldosa, fazendo com cenas impactantes sejam tão carregadas de incômodo e humilhação mostrando o que a personagem passa. Mas ainda que não tão bem abordada, a maneira como o indivíduo é tratado também fazem parte do pacote.

Na minha lista eu já tinha trazido uma obra de Sebastián Lélio (Desobediência) e assim como o romance lésbico, Lélio deixa sua protagonista à vontade e a atuação de Daniela é à altura do que se é pedido. Com takes precisos, closes e cinematografia são uma camada para o ambiente em que Marina está e tudo com o que ela lida.

Podendo aprofundar mais o escape artístico de sua protagonista o filme deixa com uma sensação a desejar; a vontade de ter visto Marina dando a volta por cima, virando a página e se tornando grande nos palcos. Mas apesar disso, ele mostra a sua conclusão, insinuando que não só Marina como Daniela Vega, são sim donas de suas próprias histórias, marcadas com cicatrizes e dores, mas fantásticas.

 

Texto por: Raquel





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