Crítica - Publicado em 08.out. 21
Diretor: Sebastián Lélio
Gênero: Romance, Drama
Duração: 1h54
Ano: 2017
Sinopse:

Ronit precisa voltar para sua cidade natal após a morte de seu pai, um rabino. Uma vez de volta, ela recorda a paixão proibida pela melhor amiga de infância, atualmente casada com seu primo, e as duas exploram os limites da fé e sexualidade.


Assista o trailer:

O amor é um ato desafiador. A escolha da liberdade e como ela custa.

Drama de temática lésbica, ele tem o seu peso ao ter um elenco de alto calibre as aclamadas Rachel McAdams e Rachel Weisz. Aqui, não apenas os nomes das atrizes são iguais, como também a carga emocional de suas protagonistas e a química e entrosamento, guiado de maneira tão confiante e cumplicidade. Logo, o filme já se torna interessante em ver as duas atuando juntas sobre um amor proibido.

Divisor de opiniões na crítica especializada, Disobedience é uma obra de Sebastián Lélio e foi um dos esnobados na temporada 2018 do cinema, devido a problemas de distribuição e calendário do estúdio que foi produzido. Disobedience pontua exclusivamente do ponto de vista feminino, temas importantes como a religião judaica, o comportamento da sociedade, família e sexualidade. 

Na história, Ronit (Rachel Weisz) retorna à sua comunidade para o enterro do seu pai, rabino respeitado pelos seus. Ronit, quando jovem saiu de casa para conquistar sua liberdade, e com sua volta, as consequências de sua escolha são constantemente confrontadas pela sua família enquanto ela lida com a retomada do sentimento pela sua paixão adolescente, Esti, interpretada por Rachel McAdams, que neste longa está em uma de suas melhores performances no cinema. O que acontece quando a retornada de Ronit na comunidade e todos em volta, é que isso acaba abalando todas as convicções e pensamentos que Esti tinha, ao ter se sentido pressionada e influenciada quando jovem a se casar exatamente com o irmão de Ronit, Dovi, interpretado por Alessandro Nivola. Aqui, a religião é abordada de forma delicada e atenciosa, respeitando a cultura judaica, mas mostrando também uma leve crítica ao dilema das mulheres. A repressão é abordada quando Esti se vê não pertencente mais aos costumes, e ao abdicar isso, é vista de forma imoral diante aos outros. 

O longa contém um incrível entrosamento entre suas protagonistas, como eu disse no início, elas estão bem e confortáveis, uma guia a outra e isso somente é possível pelo profissionalismo entre as atrizes. Um detalhe: a cena de sexo entre as duas foi completamente editada por Rachel Weisz, fazendo assim com que o momento entre as protagonistas tenha sido transmitido de forma apaixonante. A fotografia em cores cinza e preto, mostra que o clima não é amigável nem feliz, contrastando exatamente a infelicidade de todos os seus personagens. A montagem, no entanto, falha um pouco, mas nada que seja tão absurdo. O roteiro sabe lidar com os momentos de silêncio oportunos. 

Disobedience questiona constantemente até que ponto pode ser sufocante seguir costumes, cultura e morais, até que ponto isso pode vir a alimentar uma liberdade, deixando bem claro que ninguém deve ser ou fingir ser quem não é. E seguir sua vida da forma que achar melhor e feliz. É uma obra tocante e reflexiva.





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